Sobral - O Interior do Ceará voltou a ser atingido por tremores de terra na madrugada de ontem, com abalos que alcançaram até 3,9 graus na escala Richter. Segundo a Defesa Civil do Estado, entre a 0h e as 9h de ontem foram registrados 108 abalos sísmicos na região. O mais forte, de 3,9 graus, ocorreu à 1h50 e teve alcance de até 200 quilômetros. Os efeitos foram sentidos em municípios do Piauí.
Além do temor dos moradores das áreas atingidas de ficar dentro de casa, o saldo foi de oito casas com rachaduras graves e risco de desabamento e outras 200 com fissuras leves, segundo líderes comunitários. O epicentro dos tremores foi a comunidade de Jordão, em Sobral (240 quilômetros de Fortaleza), onde há 14 dias ocorreram abalos mais fracos, de até 3,5 graus. O abalo de ontem foi o mais forte já registrado nessa região.
No Ceará, o maior tremor de terra foi em 1980, em Pacajus (52 quilômetros de Fortaleza), de 5,2 graus na escala Richter. Um abalo de 3,9 graus, como o de anteontem, ainda é considerado de baixa intensidade. O medo dos moradores da localidade ainda era visível na tarde de ontem. E piorava a cada novo abalo, que, apesar de leves, ainda eram sentidos.
Enquanto a reportagem esteve no local, das 15h40 às 17h50, houve um pequeno sismo - a sensação foi de desequilíbrio. Como a maioria dos moradores se recusava a entrar em casa, a saída encontrada pela Defesa Civil foi distribuir lonas. Ontem à noite, havia previsão de entrega de 600 metros de lona para abrigar 120 famílias - cada família teria direito a cinco metros.
Em muitos casos, duas famílias precisam dividir o mesmo abrigo provisório. O líder comunitário Rogério Moura de Mendonça, 42 anos, disse que orienta quem ficou em casa a dormir com a porta aberta. “Mas, na maioria dos casos, é melhor sair, pelo perigo de queda do telhado.”
Há pais que, por medo dos tremores, não deixam os filhos irem à escola - uma parede rachou em uma delas. Guardas municipais permaneceram o tempo todo na localidade anteontem, para acalmar os moradores. Monitoramento O Ceará tem quatro locais de monitoramento de abalos sísmicos, um deles em Sobral. A análise dos dados é feita pela Defesa Civil, com apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
A região, segundo Francisco Brandão Neto, da Defesa Civil do Estado, tem atividade sísmica freqüente, causada por falhas geológicas e acomodação periódica da terra. Na maior parte dos casos, o fenômeno é imperceptível. Como não é possível prever o ocorrência de novos abalos, a orientação dada aos moradores é aprender a conviver com eles. “Mas como a gente vai se acostumar com isso? Parece que o chão está se abrindo. Só Deus mesmo pode nos ajudar”, disse Cláudia Cavalcante, 35 anos, mãe de cinco filhos.