09 de julho de 2026
Internacional

Hamas pode atrair holocausto, diz vice-ministro israelense

Por Folhapress | Com Reuters
| Tempo de leitura: 2 min

Tel Aviv - O vice-ministro israelense da Defesa, Matan Vilnai, declarou ontem à Rádio do Exército que os foguetes lançados a partir de Gaza por radicais palestinos forçarão Israel a responder com uma “shoah” (grande catástrofe, Holocausto), “porque usaremos tudo o que temos à disposição para nos defender”.

A palavra hebraica “shoah” raramente é usada em Israel para designar fatos contemporâneos. Ela quase sempre se refere ao genocídio que vitimou 6 milhões de judeus da Europa, durante a Segunda Guerra Mundial, em territórios ocupados pela Alemanha nazista.

Incursões aéreas israelenses já mataram 33 palestinos, sendo quatro crianças, desde quarta-feira em Gaza, território controlado desde junho pelo grupo radical islâmico Hamas.

As operações foram desencadeadas em resposta ao lançamento na direção de Israel de foguetes Qassan, de produção artesanal, Katyusha, de fabricação iraniana, ou Grad, derivado de um artefato russo. O fato é que ameaçar os palestinos com uma “shoah” pareceu no mínimo despropositado. Consciente disso, um porta-voz de Vilnai apressou-se em dizer que ele se referia a um “desastre”, sem nenhuma alusão a qualquer genocídio.

Resposta do Hamas

Ismail Haniyeh, um dos líderes do Hamas, minimizou ontem as ameaças de assassinato feitas por Israel e disse, na sua primeira aparição pública em um mês, que o grupo islâmico está preparado para enfrentar um ataque em grande escala.

Dezenas de milhares de moradores da Faixa de Gaza lotaram as ruas de cidades da região controlada pelo Hamas nas orações de sexta-feira em meio a uma mobilização descrita pelos líderes do grupo como uma demonstração de solidariedade.

“Digo aos líderes da ocupação (israelense): essas investidas serão um fracasso completo, como todas as outras”, afirmou Haniyeh em uma mesquita localizada perto da casa dele, no campo de refugiados de Beach, dentro do território palestino.

Em vista do bloqueio liderado por Israel, Haniyeh pediu paciência e união aos 1,5 milhão de moradores da Faixa de Gaza. “Precisamos ficar unidos diante do inimigo.”