08 de julho de 2026
Internacional

Putin quer participacão alta nas eleições

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Moscou - Sob acusações generalizadas de fraudes e manipulações no pleito de domingo, o presidente Vladimir Putin fez ontem um discurso na TV que, para dizer o mínimo, visava induzir os eleitores que o apóiam a irem às urnas votar no seu candidato à sucessão, o vice-premiê Dmitri Medvedev.

“Três meses atrás nós elegemos um novo Parlamento. Depois de amanhã, vocês irão votar para o novo presidente. O movimento para frente da Rússia não pode parar, e as mudanças para melhor têm de continuar”, disse Putin.

Com efeito, o partido criado para apoiar o Kremlin, o Rússia Unida, abocanhou 64% dos votos no pleito de dezembro. Todas as pesquisas dão a Medvedev algo em torno de 70% dos votos para a eleição, e os estrategistas de Putin sabem que uma alta abstenção colocaria dúvidas sobre a legitimidade do processo.

Em toda Moscou, apareceram novas faixas pedindo o comparecimento dos eleitores às urnas. Enquanto isso, continuam surgindo acusações sobre suspeitas de fraudes. O jornal “The Moscow Times” trouxe ontem um estudo de dois cientistas-blogueiros analisando dados de todas as zonas eleitorais russas na eleição passada.

A descoberta, algo turva porque os blogueiros não quiseram dar detalhes ou entrevistas, mostrou que tanto o Rússia Unida como o comparecimento às urnas em 2 de dezembro não obedeceram a curvas estatísticas comuns. Segundo eles, houve muitas zonas eleitorais com número de votos redondos (final 0 ou 5) no país todo, distorcendo o resultado final e indicando suposta fraude. A Comissão Eleitoral não comentou o caso.

O jornal britânico “The Guardian'' publicou em sua versão online uma reportagem afirmando que haverá fraude, amarrando os vários casos que vêm aparecendo com a pressão de autoridades sobre servidores públicos para que usem o voto em trânsito em suas repartições. “Isso tudo dá um quadro muito ruim para o país, mesmo que não indique uma fraude explícita, joga sombra sobre o processo. E, de quebra, temos mais um caso sobre liberdade de imprensa em vista”, diz Lilia Petrova, do Centro de Estudos Estratégicos.

Ela citava a situação da jornalista Natalia Morar, da Moldávia. Ela foi considerada persona non grata no país após escrever na revista “The New Times” que o Kremlin estava bancando secretamente partidos políticos no ano passado.

Na quarta-feira, ela tentou ingressar no país, agora casada com um colega russo, Ilia Barabanov. O casamento é um estratagema para tentar convencer as autoridades de que ela poderia ser considerada russa, mas o Ministério do Exterior disse que isso é indiferente.

A agência oficial RIA-Novosti disse que ela foi alimentada e deverá ser deportada. Está no aeroporto Domodedovo, a 60 km de Moscou.