Nem shopping temático, nem sede da Secretaria Municipal da Educação e nem sede do Judiciário Federal. O prédio da Estação Ferroviária, no Centro, vai continuar desocupado e à espera de novo projeto. O representante do grupo Marca, que intermediava a revitalização do prédio central para ser ocupado pela Justiça Federal, Avelino Cortellini Júnior, informou que o negócio não prosperou e foi encerrado.
“A Justiça Federal fez as vistorias, mas considerou que o projeto era inviável, preferindo avaliar a transferência da sede para outro imóvel, sendo que um dos cotados pode ser aquele que está inacabado perto da rua das Festas, no final da Getúlio Vargas. Com isso, encerra-se a proposta de uso da estação para o Judiciário Federal”, informou Avelino.
O prédio da estação é de propriedade do Sindicato dos Ferroviários de Bauru. Conforme o representante da categoria, José Carlos da Silva, neste momento não há novo interessado. “A proposta da estação ser ocupada pela Justiça Federal era mais uma tentativa, mas não deu certo. Agora voltamos à estaca zero e estamos abertos a interessados”, contou Silva.
O prédio da Estação Ferroviária foi alvo de três propostas nos últimos anos. Ainda antes de ser homologado em ação judicial trabalhista, como pagamento de indenização a favor dos ferroviários, o imóvel histórico foi cotado para abrigar um shopping temático.
O grupo Marca, através de Avelino Cortellini, levantou o projeto e apresentou à cidade o investidor, o empresário Edmund Baracat, dono do shopping Pátio Brasil, em Brasília (DF).
O prefeito Tuga Angerami foi o segundo interessado em reocupar o local. Ele declarou o imóvel de utilidade pública e anunciou proposta de aquisição junto ao sindicato, em três parcelas. O prefeito queria levar para a estação a sede e seções da área da Educação municipal. Mas, depois, atendendo a apelo dos investidores e do sindicato, abriu mão do decreto e liberou o imóvel para que esse pudesse receber o shopping temático.
“A intenção da Prefeitura Municipal era promover a desapropriação do prédio da Estação Ferroviária e realizar o pagamento ao Sindicato dos Ferroviários em três parcelas anuais (2006, 2007 e 2008), ainda dentro do atual mandato”, conta a assessoria do prefeito.
Mas o Sindicato dos Ferroviários, no entanto, procurou a prefeitura solicitando a revogação do decreto de utilidade pública da estação. “Além disso, o pedido foi reforçado por entidades de classe do comércio, que vislumbraram a possibilidade da criação de empregos com a implantação do empreendimento comercial. Diante desses argumentos, o prefeito Tuga Angerami aceitou abrir mão do projeto de transferência da sede da Secretaria Municipal da Educação para esse local”, lembrou a assessoria.
No atual momento, a prefeitura descarta retomar o projeto original. “Não há mais como manter a proposta original, já que não há tempo hábil para efetuar o pagamento em três parcelas anuais e não há recursos para fazê-lo em uma única parcela”, finalizou o governo.
A terceira proposta surgiu junto à Justiça Federal. O prédio seria adequado às exigências do Judiciário e alugado para a Caixa Econômica Federal (CEF). Mas o projeto não mais interessou à Justiça. A reportagem não conseguiu localizar o representante da Justiça Federal local para falar sobre o assunto.