08 de julho de 2026
Geral

Cips e Legião já encaminharam 60 mil

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Em quase cinco décadas de atuação, a Legião Mirim e o Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips) já encaminharam ao trabalho cerca de 60 mil jovens e adolescentes. Comparativamente, é a população inteira de uma cidade de médio porte, como Lençóis Paulista. Juntas, as entidades atendem hoje cerca de 2,4 mil jovens.

A receita para tamanho sucesso, que gera filas de espera de até 1.000 pessoas por ano, é promover a educação pelo trabalho. Enquanto pais e alunos vêem nessas instituições o caminho mais apropriado para alcançar uma vaga no mercado de trabalho, empresários têm nelas uma fonte de mão-de-obra previamente treinada.

Ambas começaram com nomes diferentes e passaram por diversas transformações até chegarem aos dias atuais. No entanto, o objetivo continua o mesmo: tirar os adolescentes carentes da rua e oferecer a eles um emprego. A Legião Mirim já foi Polícia Mirim e o Cips já foi chamado de Reco-Reco. Isso tudo no início da década de 60. Desde então, cerca de 40 mil jovens já passaram pelo Cips e outros 20 mil pela Legião Mirim.

Alcedir Mussato, hoje com 50 anos, foi policial mirim entre 1968 e 72. Nunca havia trabalhado antes. Começou cobrando dízimo dos fiéis da Catedral do Divino Espírito Santo e depois passou a trabalhar no 3.º Cartório de Notas e Protesto, na quadra 4 da Praça Rodrigues de Abreu, seu primeiro e único emprego até o momento. São 36 anos de cartório.

De empregado mirim, passou a empregador de mirins. Hoje, Mussato é o tabelião substituto e tem autonomia para contratar os serviços dos adolescentes. O cartório conta com três legionárias e mais um monte de ex-legionários que, a exemplo de Mussato, também foram incorporados ao quadro de funcionários.

“Eu costumo dizer que a Polícia Mirim foi minha segunda mãe. Se eu não tivesse feito parte dela, eu não seria quem sou hoje”, afirma ele, ressaltando a importância da instituição na formação profissional e humana dos adolescentes. “Não conheço ex-legionário que tenha vida torta”.

Ele completa, em seguida, que a Polícia Mirim moldou o caráter de muitos meninos naquela época. “Ela tinha uma importância maior do que a escola na formação do ser humano”, alega.

O autônomo Claudemir de Oliveira, 48 anos, esteve na Polícia Mirim de 1971 a 74. Ele foi levado pela mãe, com o propósito de arrumar um emprego e ajudar nas despesas da casa. O plano deu certo. Depois de dois meses de espera, Oliveira estava empregado. Ele foi trabalhar no Sesi, onde permaneceu durante 25 anos. Nesse tempo, foi promovido e passou a atuar no Departamento Médico e Odontológico, de onde saiu para seguir a carreira de autônomo.

O administrador Renato Pinheiro, 32 anos, passou apenas três anos na Legião Mirim, mas foi tempo suficiente para ele aprender lições que seriam lembradas para o resto da vida. “Lá, eu aprendi a ser disciplinado, responsável e a valorizar muito as minhas conquistas”, declara ele, que começou a trabalhar com 11 anos na Beneficência Portuguesa. Foi efetivado como funcionário do hospital quando completou 14 anos.

Graças aos contatos feitos no local de trabalho, Pinheiro arrumou outros empregos, que pagavam salários maiores e que o ajudaram a encontrar sua vocação para administrador de empresas.