08 de julho de 2026
Geral

Permanência no emprego chega a 80%

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Antes de serem encaminhados para o primeiro emprego, os jovens e adolescentes atendidos pelo Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips) e pela Legião Mirim passam por treinamentos, cujo objetivo é torná-los capazes de atender as expectativas dos futuros patrões. Eles chegam ao serviço sabendo contabilidade, informática, como se expressar e se vestir dentro da empresa e outras habilidades que são exigidas pelo cargo que vão ocupar.

De acordo com o presidente da Legião Mirim, Antônio Carlos Martins, mais de 80% dos legionários são efetivados na empresa onde estão trabalhando. O alto índice de aceitação dos menores é confirmado pelo presidente do Cips, João Carlos Previdello. Segundo ele, cerca de 90% dos meninos e meninas atendidos pela instituição permanecem no emprego.

Em alguns casos, os adolescentes são contratados antes mesmo do encerramento do contrato, que tem duração máxima de dois anos. Ana Paula Ganzerolli, 17 anos, completará dois anos de trabalho na Unimed apenas em junho, mas sua efetivação na empresa já está praticamente definida. Depois de sete meses trabalhando com internações e liberação de guias, ela foi promovida para atuar na auditoria médica.

Ana Paula lembra que quando a mãe a matriculou no Cips, nunca tinha ouvido falar da instituição. Depois de um início apreensivo, ela foi se sentindo à vontade e hoje agradece a iniciativa da mãe.

Natália de Araújo Oliveira, 17 anos, tem uma história parecida. Ela entrou no Cips em 2005. Em janeiro do ano passado, foi chamada para ocupar a vaga deixada por Ana Paula no setor de internação da Unimed. Seis meses depois, passou a trabalhar no atendimento e, a exemplo da colega, tem grandes chances de ser contratada pela empresa. “Isso é tudo o que eu quero”, afirma.

Sobre o Cips, Natália diz que é uma experiência de vida incrível. “Foram eles que me encaminharam para esse serviço e que me deram cursos que ajudaram no trabalho”, conta.

Valter Higa, 48 anos, também começou como mirim na Unimed. Hoje, é gerente de compras médicas. Ele entrou com 11 anos e ainda continua na empresa. “Esse é meu primeiro e único emprego até o momento”, diz o ex-legionário, que foi levado pelo pai para a Polícia Mirim. O objetivo era o mesmo de praticamente todas as famílias: conseguir emprego para os filhos e, com isso, ajudar na despesa da casa.

Segundo Valter, não era apenas a questão financeira que fazia a diferença. “Nós passávamos por um treinamento humano, de respeito pelas pessoas. É uma idade em que estamos em formação de caráter. A Polícia Mirim foi fundamental para minha vida.”

Na década de 80, a Polícia Mirim passou a se chamar Legião Mirim, mas a finalidade continuou a mesma: tirar crianças carentes da rua e torná-las cidadãs preparadas para a vida e o trabalho.