09 de julho de 2026
Polícia

Presos fazem 70 reféns em Reginópolis

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Durou mais de sete horas uma rebelião na Penitenciária 1 de Reginópolis (70 quilômetros de Bauru), ontem. Durante toda a tarde e o início da noite, cerca de 20 detentos do Pavilhão Disciplinar mantiveram 70 visitantes, entre adultos e crianças, três agentes de segurança e uma enfermeira como reféns. Eles exigiam transferência para outras unidades prisionais do Estado, alegando descontentamento com o tratamento que têm recebido no presídio.

Os reféns foram liberados por volta de 19h45, depois de conversações entre a diretoria da P1 e advogados dos detentos. As negociações seguiram até 21h, quando foi confirmado que 17 presos seriam transferidos para outras unidades entre o final da noite de ontem e a madrugada de hoje. A reportagem apurou que o mais provável destino dos detentos seria uma das unidades da Penitenciária de Presidente Venceslau (SP).

O estopim da rebelião na P1 de Reginópolis teria ocorrido por volta das 2h da madrugada de anteontem, quando quatro detentos, que seriam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), teriam começado a fazer barulho em sua cela. Segundo agentes informaram a reportagem, o chefe da segurança de plantão teria pedido aos presos que fizessem silêncio e teria sido desacatado por eles.

Ontem pela manhã, a cela dos quatro detentos foi revistada e foram apreendidos aparelhos celulares e outros objetos. Os quatro foram transferidos para o Pavilhão Disciplinar. Por volta do meio-dia, os quatro detentos teriam obrigado um “faxina” (preso que trabalha na limpeza do presídio) a render um agente e pegar as chaves das celas. Isso feito, um grupo de 20 presos dominou outros dois agentes e uma enfermeira. Houve tentativa de fuga, que foi evitada por outros funcionários da P1.

Revoltados, os detentos fizeram reféns, no pátio da unidade, cerca de 70 visitantes, além dos três agentes e a enfermeira. A condição para libertarem os reféns era a transferência para outros presídios do Estado. Durante a negociação, um agente, a enfermeira e uma visitante, que estava passando mal, foram liberados pelos detentos. Os demais permaneceram como reféns até o início da noite, quando a situação foi controlada e os presos retornaram para as celas. Os nomes dos funcionários mantidos como reféns não foram divulgados.

A reportagem conversou com uma das reféns, que pediu para não ser identificada, quando ela deixava o presídio. De acordo com ela, a situação no pátio permaneceu tranqüila durante toda a rebelião. Ela conta que não houve tumulto nem agressão de nenhum lado. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Sistema Penitenciário Paulista (Sindcop), João Oferne Primo, compareceu ao presídio. Na saída, ele disse que os agentes que ficaram como reféns passavam bem e não aparentavam nenhum ferimento.

Apesar do susto, ele comentou que os agentes estavam tranqüilos e consideravam a situação como “normal”. “Eles sabem que esse é um risco inerente à função que exercem”, declarou Primo. Segundo o presidente do Sindcop, não houve depredação dentro do presídio.

Emerson Andrade Amaral Filho, advogado de dois dos detentos rebelados, disse ter conversado com seus clientes. Segundo ele, alguns presos estavam descontentes com algumas atitudes tomadas por funcionários da P1 e, por isso, queriam a transferência. Ele não revelou quais seriam essas atitudes. Após a tentativa frustrada de fuga, ele contou que seus clientes estavam cientes de que seriam transferidos para penitenciárias com regime disciplinar ainda mais rigoroso, como a de Presidente Venceslau.

A última rebelião registrada em Reginópolis ocorreu em maio de 2006, no Dia das Mães. A P1 de Reginópolis têm capacidade para 800 presos e, atualmente, abriga cerca de 760 pessoas.