08 de julho de 2026
Internacional

Porta-voz das Farc é morto pelo Exército

Por Fabiano Maisonnave | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Caracas - O governo colombiano anunciou ontem a morte do porta-voz das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, 59 anos, durante combates na fronteira com o Equador. É a primeira vez que um dos sete membros do alto secretariado da guerrilha de esquerda é abatido desde a sua fundação, em 1964.

A confirmação foi feita pelo ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, que classificou a operação de “o golpe mais contundente já sofrido pelo grupo terrorista em toda a sua história’’. Santos informou que Reyes foi morto durante um bombardeio aéreo feito a um acampamento das Farc em território equatoriano a partir do lado colombiano.

“Não houve invasão do espaço aéreo’’, assegurou. O ministro afirmou também que os corpos de Reyes, cujo nome verdadeiro é Luis Edgar Devia Silva, do ideólogo das Farc Julián Conrado e de outros 15 guerrilheiros “se encontram em poder das autoridades colombianas’’. Eles estariam a 1.800 metros da fronteira, marcada pelo rio Putumayo.

O presidente Álvaro Uribe, disse Santos, ligou ao colega equatoriano Rafael Correa para “informar-lhe sobre a situação’’. Ainda de acordo com o governo colombiano, Reyes foi localizado e morto logo depois que o serviço de inteligência militar interceptou uma comunicação telefônica, provavelmente por meio de um telefone por satélite.

Muitas vezes chamado de “número 2'’ das Farc - atrás apenas de Manuel Marulanda, o “Tirofijo’’ -, Reyes era o encarregado da comunicação da guerrilha. Várias vezes, recebia jornalistas colombianos e estrangeiros no mesmo território onde foi morto, entre os quais uma reportagem da Folha, em agosto de 2003.

Segundo jornal “El Tiempo’’, apenas o chefe militar das Farc, Mono Jojoy, tinha tanto poder dentro da guerrilha como Reyes, casado com Olaga Marín, filha de Marulanda. Reyes se transformou no principal porta-voz da guerrilha durante os fracassados diálogos de paz sob o governo Andrés Pastrana (1998-2002). Desde então, se escondia na ampla região amazônica do departamento de Putumayo, fronteiriço com o Equador.

A morte de Reyes acontece num momento em que o governo Uribe tem sido duramente criticado pelos reféns recém-liberados por não aceitar a exigência das Farc para a desmilitarização de dois municípios, Pradera e Florida, como precondição para negociar a liberação de 39 reféns em troca de 500 guerrilheiros presos.

O presidente colombiano tem dito que a exigência é inaceitável e, em troca, oferece a criação de uma “zona de encontro’’ em área desmilitarizada. Desde que assumiu o governo, em 2002, Uribe adotou uma política de linha-dura contra a guerrilha, financiada principalmente pelo governo norte-americano, por meio do Plano Colômbia.

No ano passado, dois comandantes médios haviam sido localizados e mortos pelo Exército, entre os quais Negro Acácio, que tinha ligações com o traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar. Segundo o governo Uribe, os efetivos das Farc foram reduzidos à metade nos últimos quatro anos e contariam atualmente com cerca de 8.000 guerrilheiros.

Acuada pela ofensiva militar - batizada de Plano Patriota -, a guerrilha ocupa hoje sobretudo regiões amazônicas nas fronteiras com Equador, Brasil e Venezuela. Há três dias, o ex-senador Luis Eladio Pérez disse que chegou a ser levado ao território equatoriano durante o tempo em que esteve seqüestrado e que a guerrilha se abastece de produtos brasileiros e venezuelanos.