08 de julho de 2026
Bairros

Acesso a materiais ainda é restrito

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

Perto dos grandes centros, o mercado bauruense com certeza ainda não apresenta nem metade dos materiais atualmente disponíveis para uma construção sustentável. De acordo com a pesquisadora Maria Solange Gurgel de Castro Fontes, professora doutora do curso de arquitetura da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, essa distância das lojas especializadas ajuda a explicar o pequeno número de obras sustentáveis construídas até o momento em Bauru.

Entre os produtos voltados à construção sustentável, estão itens que, além de não agredir o meio ambiente, também oferecem beleza e conforto para residências e prédios comerciais (veja quadro). O telhado verde, por exemplo, consiste na aplicação e uso de vegetação sobre a cobertura de construções com impermeabilização e drenagem adequada, proporcionando melhorias nas condições de conforto termo-acústico e paisagismo das edificações.

Outro produto que ainda não deu as caras por aqui é a ecotextura, um revestimento natural para paredes feito à base de silicato de potássio, material de origem mineral que embeleza por meio de acabamento diferenciado, mas sem selar a parede ou agredir o meio ambiente. Esse material pode ser utilizado como textura do tipo grafiato, travertino e stucatto.

Por conta da necessidade de ampliação da demanda, as lojas de materiais de construção especializadas no mercado sustentável já começam a voltar seus olhos para o Interior, adianta a pesquisadora.

A competitividade também já se acirra e com isso os preços desse produtos tendem a cair e ficarem mais acessíveis. “Mas o interessado em construir uma residência ou um prédio comercial sustentável tem de pesquisar bastante”, avisa Fontes.

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Habitação popular

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), órgão ligado ao governo do Estado de São Paulo, já começou a ‘engatinhar’ em projetos que visam evitar o desperdício e zelam pelo meio ambiente. Já existem vários empreendimentos de casas e apartamentos da CDHU cujos projetos prevêem a adoção de aquecimento solar e também de sistemas de reuso de água. Em Bocaina (69 quilômetros de Bauru), no distrito de Pedro Alexandrino, foram construídas casas populares com aquecedores solares.

De acordo com Carlos Roberto Ladeira, gerente regional da companhia, a construção de casas sustentáveis ainda está em fase de testes na região, mas o projeto existe deverá ser levado a todos os núcleos habitacionais construídos pela companhia. A iniciativa da CDHU significa a economia de milhões de litros de água e da utilização de energia renovável mesmo que ainda em pequena escala.

“Trata-se de uma conquista para toda a sociedade”, diz Ladeira. De acordo com ele, essa conscientização tem que ganhar espaço também junto à iniciativa privada. A CDHU acredita que esse tipo de iniciativa além de ser economicamente correta também possibilita economia real – nas contas de luz e de água – para a população carente.

Por enquanto, em Bauru nenhum conjunto habitacional construído pela CDHU ainda traz os benefícios.