10 de julho de 2026
Nacional

Lula dá aval à aliança PT-PSDB para eleições municipais em Belo Horizonte

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O acordo entre o petista Fernando Pimentel e o tucano Aécio Neves tem a bênção do presidente Lula. De olho em 2010, ele autorizou pessoalmente o prefeito de Belo Horizonte a fechar um entendimento com o governador na disputa pelo comando da capital mineira.

O sinal verde foi dado em um almoço no Palácio da Alvorada, em janeiro, logo após o balanço de um ano do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Sob a justificativa de que “vamos precisar do Aécio” e de que o nome sugerido como candidato é da “nossa base”, Lula liberou Pimentel, sinalizando que aposta na divisão no ninho tucano para fazer seu sucessor. Os três fazem seus movimentos mirando 2010.

Lula tenta atrair Aécio para seu campo na sucessão, o governador busca aliados para construir sua candidatura ao Planalto e o prefeito sonha com o lugar do tucano mineiro. Na tentativa de viabilizar esse arranjo, Aécio e Pimentel foram buscar no PSB o candidato de consenso para a Prefeitura de BH: Márcio Lacerda, ex-assessor do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e hoje secretário de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais.

No início do ano, quando as negociações avançaram, Fernando Pimentel decidiu consultar o presidente. “Eu não sou louco de fazer um acordo desse sem aprovação do Lula”, confidenciou a amigos.

Ele esteve em Brasília no dia do balanço de um ano do PAC, 22 de janeiro. Encontrou-se com Lula no Planalto e disse que precisava conversar sobre a disputa em BH. Ouviu do presidente que trataria do caso depois. O prefeito chegou a entender que Lula não queria tocar no assunto, mas acabou convidado para um almoço no Palácio da Alvorada.

Em uma mesa com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação) e o chefe do gabinete particular da Presidência, Gilberto Carvalho, Lula deu seu aval após uma análise da eleição de 2008.

Primeiro, comentou a posição dos ministros petistas de Minas: Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) não será candidato e “podemos precisar dele aqui”; Luiz Dulci (Secretaria Geral) também não vai ser. Em seguida, após falar que o governador queria fazer um acordo e sugeria um nome que “trabalhou com a gente”, Lula disse que não via motivos para vetar o entendimento e que Pimentel deveria tocar “pra frente” os entendimentos com Aécio.

Márcio Lacerda trabalhou no governo como secretário-executivo de Ciro no Ministério da Integração Nacional. Deixou o cargo depois de seu nome ser mencionado no escândalo do mensalão como tendo recebido dinheiro de Delúbio Soares. Os recursos, porém, não eram para ele, mas para o publicitário da campanha de Ciro ao Planalto.

Lula está convencido de que José Serra será o candidato tucano em 2010 e que o tucano mineiro pode sair insatisfeito do processo de escolha do PSDB. Daí sua frase “vamos precisar do Aécio” durante a conversa no Alvorada.

No ano passado, Lula insistiu com Aécio para que ele se transferisse para o PMDB. Para fugir de uma punição da Justiça eleitoral, como a perda do mandato, Lula chegou a lhe sugerir, numa viagem a Minas, que deveria renunciar no final de 2009. Argumentou que ele já terá governado Minas por sete anos e deixaria no comando seu vice de confiança, Antonio Anastasia: poderia se filiar ao PMDB e viajar pelo país para se tornar conhecido nacionalmente. Aécio disse preferir ficar no PSDB.