Inicialmente, a idéia de utilizar o telefone celular como cartão de crédito pode despertar certa euforia. Afinal de contas, trata-se de uma novidade e toda novidade deixa as pessoas curiosas, mas é preciso estar atento. Como as informações via celular viajam por ondas de radiofreqüência, elas podem ser captadas por antenas e as informações usadas por criminosos.
É importante tomar cuidado também com a ação de hackers (criminosos que usam a Internet para aplicar golpes). Entre as fraudes possíveis, eles podem se fazer passar por proprietário de uma loja e pedir a confirmação de uma compra. “Na correria, a pessoa digita a senha e confirma a transação. É preciso muito cuidado com isso”, orienta José Antonio Milagre, advogado especializado em combater crimes pela Internet.
A orientação, segundo ele, é ligar para a esposa, marido ou filhos e se certificar que eles estão realmente realizando alguma compra com o número do celular que recebeu a mensagem. Se a esposa, marido ou filhos possuem cartão de crédito adicional, é no telefone do titular da conta que a mensagem vai chegar.
Outra possibilidade de fraude, segundo o advogado, é a instalação de um tipo de vírus que confirma automaticamente toda mensagem de compra que o celular recebe, sem o uso da senha. Manter o antivírus do telefone celular atualizado pode ser uma boa maneira de evitar esse tipo de prejuízo, segundo Milagre.
Apesar dos riscos, que existem em quase toda operação financeira, o advogado acredita que a tecnologia do cartão de crédito no celular vai tornar a compra mais segura do que é hoje, com o uso dos cartões convencionais.
Segundo ele, as empresas envolvidas com o “mobile payment”, especialmente os bancos, estão tentando aprimorar ainda mais a segurança desse novo sistema de compras. Por isso, quase não se vê anúncios sobre essa novidade.
“Acredito que ela vá se popularizar no Brasil dentro de dois anos, quando o sistema de segurança estiver mais amadurecido”, aposta Milagre, que participou de congresso organizado pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), no ano passado, quando o tema “m-payment” dominou as discussões. Aliás, de acordo com relatório da empresa de consultoria Forrester sobre tecnologia da informação nos bancos brasileiros, o pagamento via celular já está na pauta de todas as instituições.