O desperdício de água não reflete apenas no meio ambiente, mas também no orçamento doméstico dos consumidores. Ocorre que muitas vezes o valor da conta não corresponde ao uso desenfreado do líquido. O grande vilão do desperdício atende pelo nome de vazamento. Caso as 99.788 ligações de água residenciais de Bauru apresentassem algum tipo de problema, os gastos indevidos seriam incalculáveis.
O economista Wagner Ismanhoto explica que, em função do baixo valor cobrado pela água em Bauru, muitas pessoas não consomem o produto adequadamente. “Aqui temos um custo diferenciado por se tratar de uma autarquia, e a conta de água não aparece como um fator de desequilíbrio no orçamento doméstico”, observa.
Em sua tese de mestrado sobre o aproveitamento de energia solar e que envolve o uso correto da água, Ismanhoto chegou à conclusão de que um banho deve durar, no máximo, oito. “São 3,5 litros de água por minuto. Se imaginarmos o número de pessoas que tomam banho todos os dias, o ideal é fazê-lo o mais rápido possível”, destaca.
As dicas do economista para evitar o desperdício são simples. O consumidor deve, principalmente, ficar atento a possíveis vazamentos. Os indícios de que isso possa estar ocorrendo aparecem em paredes úmidas e no chão molhado.
Como exemplo de situação ideal, Ismanhoto cita a construção de casas ecológicas, que utilizam a água da chuva nas descargas como modo de racionar o consumo de água e contribuir para a preservação do meio ambiente. “Como no Brasil temos água em abundância, as pessoas ainda não têm muita consciência sobre o assunto”, alerta.
Vazamentos comuns
Segundo o Departamento de Água e Esgoto de Bauru, os vazamentos mais comuns são aqueles registrados nas válvulas de descarga de banheiros e que somente são detectados após a chegada da conta com os valores de consumo. O problema pode se agravar em estabelecimentos pouco visitados, como edículas, ou durante a ausência dos proprietários por motivo de viagem.
Para prevenir esse tipo de vazamento e outros que podem ocorrer nas instalações hidráulicas internas, a autarquia recomenda ao consumidor adquirir o hábito de verificar, a cada seis meses, o hidrômetro do imóvel antes de acionar qualquer dispositivo ou torneira dentro da casa. Logo pela manhã, deve-se verificar se os ponteiros do equipamento estão parados. Caso contrário, a possibilidade de vazamento no interior da residência é grande.
Existem alguns “testes caseiros” que facilitam a identificação de vazamentos. No caso do vaso sanitário, a dica é jogar cinza de cigarro. Se ela permanecer parada no fundo do vaso, significa que não há vazamento. Se a cinza desaparecer, é sinal de que há vazamento na válvula ou na caixa de descarga.