A analista ambiental do Ibama de Bauru, Lélia Lourenço Pinto, explica que o instituto e estudantes universitários efetuaram um levantamento da fauna na região. No estudo, agricultores foram entrevistados pelas equipes sobre a aparição de onça-parda nas propriedades.
Para ela, duas teorias podem explicar os relatos de aparecimento do animal na região. A mais positiva é que como a vegetação está se regenerando, a fauna também passou a se recompor, o que causaria um aumento da população das onças. Já a mais pessimista aponta que a devastação ambiental reduz a alimentação na mata - cervo, veado e pequenos roedores -, o que obriga os felinos a buscar caça cada vez mais longe.
Lélia explica que cada onça ocupa uma área de até 100 quilômetros quadrados. As que foram vistas pela região podem estar fixas ou se deslocando em busca de alimento ou para reprodução. A analista afirma que não existem relatos de ataques de onças a seres humanos. “O que temos são relatos de ataques esporádicos a galinhas e carneiros”, diz.
Ela explica que a onça-parda costuma atacar animais menores que ela. Esses felinos podem caçar até bezerros, mas não chegam a matar bovinos adultos. Caso não encontre na mata a alimentação necessária, a onça pode avançar para propriedades rurais.
Muitas vezes o ataque de um cachorro de grande porte pode ser confundido com o de uma sussuarana. Para diferenciar, Lélia explica que as onças-pardas costumam atacar os animais pela parte de baixo do corpo, pela garganta e começa a se alimentar pela barriga. Já os cães costumam atacar por cima.
Lélia nega os rumores que cinco onças-pardas com microchips implantados foram soltas pelo Ibama na região no final do ano passado. Ela explica que antes de soltar qualquer animal predador, como a sussuarana, o instituto realiza um minucioso inventário da região, para garantir a segurança e o equilíbrio ambiental. E nenhuma soltura dessas foi efetuada pelo instituto nos últimos tempos.