08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A lei e o dever do comandante


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Solicito espaço nessa democrática tribuna para esclarecimentos sobre assunto objeto de reportagem sob o título “MP quer anular nomeação de operador”, desse jornal, inserida na edição de 21 de fevereiro.

Trata-se de notícia sobre ação civil movida pela Promotoria contra mim, o ex-vice prefeito José Ranieri e outros servidores da prefeitura, na qual o operador de máquina Hermenegildo Vitorelli tem sua contratação temporária à época (no final de 2000) contestada.

Relembro os fatos: naquela época a cidade vinha sendo castigada por temporais que afetaram gravemente vários bairros da periferia no setor oeste, sob o impacto das águas do ribeirão Bauru e afluentes.

Providências imediatas de dragagem e contenção das águas eram reclamadas pela imprensa. Após insistentes gestões junto ao governo do Estado, a prefeitura obteve autorização para que o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) nos emprestasse máquina de dragagem. A cessão era por tempo limitado. Se não dragássemos o ribeirão, o risco de novas enchentes era iminente. Não havia tempo a perder. A calha do ribeirão Água do Sobrado estava totalmente assoreada. Chuva forte acabara de inundar a avenida Alfredo Maia e fizera vítima humana. O povo da região estava muito preocupado e é claro que a Administração não podia cruzar os braços.

Ao recebermos a máquina emprestada pelo DAEE constatou-se que nenhum dos operadores de máquinas do quadro de servidores da prefeitura estava habilitado a manobrar aquele tipo de equipamento. Com a cidade em estado de alerta, era preciso pôr a draga em ação urgente.

A contratação do sr. Hermenegildo Vitorelli, único profissional adequado existente na cidade, era inevitável nas circunstâncias. Se a Sear fosse realizar concurso de admissão, meses se passariam e não se garantiria a contratação do profissional.

O que fazer? Devolver a máquina ao DAEE, deixando a cidade à própria sorte? Adiar as providências até quando? O que faria o leitor?

Milhares de toneladas de terra e entulho foram removidas por Vitorelli, cujo salário era ínfimo. Até hoje - decorridos vários anos - a cidade se beneficia daquele trabalho. Em que pese o respeito às ações do Ministério Público, às vezes o governante tem de agir de acordo com as circunstâncias, visando ao bem da comunidade. De boa fé, claro. Grato pela publicação.

Jornalista Nilson Costa, ex-prefeito