08 de julho de 2026
Nacional

Maiden empolga mesmo com som fraco

Por Marco Aurélio Canônico | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Foi o show que os fãs mais novos sempre esperaram e que os mais velhos esperavam rever desde 1985. Os ingleses do Iron Maiden voltaram ao Brasil com uma turnê ancorada em seus clássicos da década de 80 e empolgaram um Parque Antarctica (SP) lotado com uma apresentação extremamente teatral, de duas horas, anteontem à noite.

Unindo hinos do metal como “The Number of the Beast” e “Run to the Hills” à catarse dos fãs, superaram até mesmo os vários problemas de som, inaceitáveis em um evento com ingressos de R$ 100,00 a R$ 250,00. Já na abertura, com “Aces High” - precedida, como de praxe, pelo discurso do premiê Winston Churchill -, o som do microfone de Bruce Dickinson falhou, o que se repetiria em “The Number of the Beast”.

Se na pista especial (a área mais cara e mais próxima do palco) ainda se ouvia razoavelmente bem, quem estava mais atrás sofreu com o som baixo e mal equalizado - os instrumentos sumiam, a bateria parecia um tamborim, ouviam-se mais as conversas e cantoria dos vizinhos do que a banda.

As cerca de 40 mil pessoas (37 mil ingressos vendidos, mais convidados e imprensa), 95% de camisetas pretas (e da banda), viram uma apresentação pontual e bem ensaiada. O formato com três guitarristas (Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers) funciona nos velhos sucessos, Steve Harris continua um monstro do baixo e Bruce Dickinson, um showman como poucos. Depois da abertura pouco notável da banda de Lauren Harris (filha de Steve), o público encarou uma chuva breve, mas forte o suficiente para encharcar todo mundo e o palco, para desgosto de Dickinson.

A banda entrou em cena tendo ao fundo um enorme painel egípcio que remetia ao disco “Powerslave” (de onde saíram quatro das 16 canções apresentadas) e à turnê de 1985, que passou pelo primeiro Rock in Rio e marcou “o começo de nossa paixão pela América do Sul e pelo Brasil, em particular”, como lembrou Dickinson. “E, cada vez que voltamos, está maior e mais forte”, completou o vocalista, saudando a fervorosa platéia, que, àquela altura, já tinha entoado vários coros de “Maiden, Maiden”.

O cenário, tradicionalmente um ponto forte dos shows da banda, ia se adaptando às temáticas das canções, com desenhos egípcios, futuristas, marinhos, de guerra etc. O ponto alto da apresentação foi a seqüência “karaokê” (onde o canto do público supera o da banda) com “Run to the Hills”, “Fear of the Dark” e “Iron Maiden” - essa última, com a tradicional aparição do mascote Eddie, em formato andróide. O Maiden toca hoje em Curitiba e amanhã em Porto Alegre, com ingressos esgotados.

Retorno em 2009

Quem perdeu o show do Iron Maiden anteontem (os ingressos esgotaram-se em dez dias) terá nova chance em 2009, segundo anunciou Bruce Dickinson durante a apresentação. “Vamos voltar dentro de um ano, para São Paulo e outras cidades. Será um show maior, com mais explosões, monstros, luzes.” Os fãs também devem poder conferir a banda nos cinemas: a atual turnê está sendo filmada e, segundo os membros confirmaram no camarim, o filme deve estrear em março do próximo ano.