09 de julho de 2026
Polícia

Em liberdade, dona de casa admite ter errado ao subtrair bebê de maternidade

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Em liberdade provisória desde sexta-feira passada, a dona de casa Rosa Maria Floriano, 31 anos, admite o erro de ter levado o recém-nascido Carlos Daniel Moraes da Maternidade Santa Isabel, na tarde da última quinta-feira. Cerca de quatro horas após seqüestrar o bebê, foi localizada com ele na sua própria casa, situada no Parque Jaraguá. Na ocasião, foi presa por subtração de incapaz, artigo 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Suspeita de ser vítima de gravidez psicológica, disse que tem vontade de desculpar-se com a mãe do bebê mas, ao mesmo tempo, sente medo da situação. Conforme o JC publicou, a família de Carlos Daniel espera que Rosa seja punida pelo crime cometido e pelo desespero causado.

Numa entrevista difícil, marcada por pausas e emoção, Rosa garante que foi à maternidade para ter seu próprio filho. Contou à reportagem que sentia-se grávida. Inclusive, era capaz de mostrar as “mexidas” do bebê em seu ventre. Quase simultaneamente, confessou que ao ninar Carlos Daniel só pensava no momento de chegar com ele em casa. Saiu da maternidade com o bebê no colo, contou.

A vontade de ter um filho era tanta que não pensou nas conseqüências. Depois de presa, de conversar por aproximadamente por duas horas com um homem que ela diz ser médico e ser medicada, repensou. De volta à casa e ao marido, disse que iniciou com ele uma conversa sobre uma eventual futura adoção.

A dona de casa sofreu oito abortos espontâneos num período de três anos, segundo relataram parentes. No final do ano passado, ainda perdeu mãe, irmão e o sobrinho que ajudava cuidar. “Não consigo ficar sozinha. Tenho medo”, comenta Rosa, também conhecida por Dedé. Ontem, ela estava acompanhada de parentes e pela vizinha Suzana de Oliveira.

Distúrbio

Para evitar novos constrangimentos, antes que ela voltasse para casa, deram fim no enxoval de bebê que Dedé fez com as próprias mãos. Agora, a expectativa é que ela seja incluída em algum programa como os oferecidos pelos núcleos de apoio psicossocial (Naps). “Mas é difícil, tudo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) demora”, comenta Suzana. Mas para o pai do recém-nascido seqüestrado, Daniel Teixeira de Moraes, 22 anos, Dedé não tem qualquer distúrbio.

Na opinião dele, a dona-de casa sabia muito bem o que estava fazendo e, frente a outra oportunidade, repetirá o delito. “Ela é perigosa. Fico revoltado com a liberdade dela. O que dá para pensar de uma pessoa que tem a coragem de levar o filho da outra?”, questiona ele.

Quando foi presa ainda na quinta-feira, horas depois de seqüestrar a criança na maternidade, Dedé, em depoimento, afirmou que o bebê era filho dela. Se for condenado por subtração de incapaz, pode pegar de dois a seis anos de reclusão.

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Prisão preventiva

Na última sexta-feira, dia seguinte ao da prisão, o promotor Júlio Cesar Rocha Palhares requereu a liberdade provisória da dona de casa Rosa Maria Floriano. Na ocasião, ele informou ao magistrado a ausência de requisitos para mantê-la detida. Apontou o fato dela ter residência fixa e não possuir antecedentes criminais.

A solicitação foi acatada, no mesmo dia, pelo juiz Ubirajara Maintinguer, da 4ª Vara Criminal. Um alvará de soltura, sem fiança, foi expedido. Na oportunidade, ela comprometeu-se a comparecer a todos os atos do processo e a comunicar qualquer alteração de endereço, sob pena de revogação da liberdade.