Certo dia, estava passando em frente à estação ferroviária e pude recordar da minha infância, não muito distante. Passando por lá meu coração ficou apertado de saudade e tristeza. Pude me lembrar das viagens de trem que fazia, quando menino, de Bauru a Dois Córregos, com minha família.
Pude me lembrar do luxuoso hall de entrada da gare de Bauru; do maravilhoso guichê de passagens; do inesquecível túnel, que ligava as plataformas por debaixo dos trilhos; da lanchonete revestida de mármore preto e rosa, que ficava entre as plataformas, aonde passageiros vindos de longe, comiam os sanduíches de mortadela como se fossem sanduíches feitos com a mais tenra carne; do cheiro da borracha do freio do trem.
Cheiro que mesmo com meus 30 e poucos anos ainda vive impregnado na minha memória. Lembrei de meu saudoso e amado avô, “seu” Benedicto Poletti, ex-funcionário da Fepasa, viajando perigosamente, na escada do vagão lotado. E o vagão restaurante? Que limpeza! Que organização! Que saudade! O cobrador passando para ticar as passagens e de estação em estação ele dizia: “Chegamos em Triagem... Chegamos em Aimorés...” e por aí se seguia até o destino final.
Quanta saudade e tristeza! Tristeza por saber que ali estava o futuro promissor de nossa amada e querida Bauru. Ali mesmo, onde em meio aos entulhos, existem estórias de amor; de alegria das chegadas; de tristeza das partidas; de negócios a serem decididos; de entrada e saída de grandes quantidades de produtos que geravam riquezas para nosso país. É uma pena, não podermos mais contar com nossas máquinas de ferro. Mas como jovem e fervoroso que sou, peço todos os dias ao Pai todo-poderoso, que abra os olhos de nossos governantes, para que eu possa, um dia, ouvir novamente o apito da locomotiva e o sino do chefe da estação.
Paulo Henrique Poletti Castilho - RG 25.058.455-4