09 de julho de 2026
Geral

Com falta de médicos e surto de doença, espera no PAI chega a 6 horas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Um surto de doenças - respiratórias e viroses - que tem acometido as crianças de Bauru lotaram o Pronto-Atendimendo Infantil (PAI) ontem. O fenômeno, que é sazonal, aliada à falta de médicos, não deu outra conseqüência a não ser longa espera. Por volta das 20h, havia 89 pessoas na fila da unidade de saúde, das quais algumas esperavam desde às 14h.

“Eu estou com dor de cabeça e agora há pouco eu fui respirar, mas meu nariz respirou só um pouquinho”. Foi assim, com os olhos cheios d’água e a voz quase desaparecendo entre gritos de mães exaltadas e choros de crianças, que o pequeno Davi, 7 anos, descreveu o que sentia.

Ao redor daquele universo particular de cansaço e dor, dezenas de outras pessoas, assim como ele, aguardavam atendimento. Irritados pela demora, muitas mães e pais chegaram a ameaçar os funcionários, conforme confidenciou um deles, que preferiu não se identificar.

O alvoroço era tanto que a Polícia Militar (PM) foi chamada para evitar um possível quebra-quebra. À tarde, segundo contou uma mulher que esperava na fila, um homem, irritado, teria atirado uma pedra contra o vidro do saguão de espera do PAI.

Por volta das 20h de ontem, a mãe de Davi, a cabeleireira Maurília de Souza Oliveira tentou explicar à reportagem o que já era evidente. Ela conta que, àquela altura, pais e filhos já estavam estressados depois de esperarem tantas horas para receber atendimento.

Maurília contou que, das 13h às 19h, apenas um pediatra estava trabalhando no PAI. “É um absurdo colocar apenas um médico para atender esse ‘mundaréu’ de gente. Uma hora atrás, estava tudo lotado, não tinha mais onde pôr gente“, reclama.

Sem previsão

Com uma criança de 3 anos no colo, a dona de casa Andréia Perez Ribeiro contou que passou praticamente a tarde toda em pé, com a filha sofrendo com febre alta e bronquite. A menina, chorosa e com os olhos vermelhos, chamava pela mãe o tempo todo. “Olha a situação dela! Está toda suja, com fome, cansada e estressada”, esbravejou.

Sentada em um banco, a vendedora autônoma Rosana Pires procurou se afastar do tumulto para controlar o nervosismo. Preocupada com o estado de saúde de sua filha, ela havia chegado às 15h e não tinha previsão do horário em que seria atendida. “Ela está com caroços no corpo inteiro, mas não sei o que é. Está sentindo tonturas e eu não posso esperar que algo pior aconteça. Ela precisa ser atendida”, observou.

Do outro lado do saguão de espera – onde crianças choramingavam, algumas mamavam e outras, vencidas pelo cansaço, adormeciam – a operadora de caixa Tatiane Figueira Pereira estava inconformada. Ela contou que teve de pedir dispensa do trabalho para socorrer a filha, de 2 anos, que estava febril.

Depois de procurar atendimento no Pronto-Socorro da Bela Vista, onde não encontrou pediatra, ela se dirigiu ao PAI. “Eles medicaram minha filha sem ao menos examiná-la, depois mandaram eu esperar minha vez”, contou, exaltada. “Ela só conseguiu dormir agora, depois que minha mãe trouxe leite de casa, porque nem isso eles (PAI) oferecem. Antes, ela estava chorando e se batendo, de tão irritada”, disse Tatiane.