08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A exploração da sensualidade


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Mulheres perfeitas quase sem roupa e cerveja gelada à vontade. Essa parece ser a descrição do sonho da maioria dos homens brasileiros. Sabendo disso, as cervejarias quebram as leis em seus comerciais com apelo sexual. Neles, a mulher é tratada como um simples objeto, que pode ser consumido como um copo de cerveja.

A relação entre a sensualidade feminina e a bebida tem sido explorada pelos publicitários sem qualquer senso ético e moral. As mulheres aparecem seminuas, “prontas para o consumo”, passando a falsa imagem de que a bebida alcoólica, especialmente a cerveja, é sinônima de prazer, felicidade e conquista.

Em várias áreas da sociedade, a mulher vem conquistando seu espaço. No mercado de trabalho, por exemplo, a participação feminina já é considerável. Mas parece que a imagem da mulher sendo submissa ao homem continua em nossa cultura. E quando vemos mulheres se submetendo a esse tipo de trabalho publicitário, nos perguntamos se o problema está na sociedade ou nas próprias mulheres.

Essas campanhas publicitárias não erram apenas ao trazer um conteúdo quase erótico, mas também ao excluir a mulher de seu público alvo. “Não se trata de negar a mulher-consumível, coisificada, pela mulher consumidora, mas de apontar os limites se uma estrutura de comercial que peca inclusive em termos mercadológicos”, diz Berenice Bento, doutora em sociologia e pesquisadora da Universidade de Brasília.

Os comerciais de cerveja são o retrato de uma sociedade imoral e sem censo crítico. Mostram exatamente o desrespeito ao feminino presente em nossa cultura. Só uma sociedade com esses defeitos aceita e é seduzida por propagandas desse tipo.

Rafael Artioli Colaciti, estudante