Washington - Se o ex-presidente Bill Clinton entrou na história por ser o “comeback kid”, o garoto da volta por cima, uma referência às várias vezes em que foi prematuramente dado como acabado politicamente, sua mulher provou que pode fazer o mesmo ontem. O próprio Clinton havia dito num comício há alguns dias: “Se ela ganhar no Texas e em Ohio, acho que será a escolhida. Se vocês não fizerem isso por ela, não creio que ela será.” Aparentemente, ele estava sendo ouvido.
Depois de vencer em três dos quatro Estados que fizeram prévias ontem, incluindo os dois mais importantes, Hillary Clinton passou o dia de ontem tentando se reposicionar como a favorita do Partido Democrata e a com mais chance de ser eleita. Chegou mesmo a sugerir uma chapa com ela e o senador Barack Obama, desde, é claro, que a primeira-dama encabeçasse a cédula. “Pode ser que seja para isso que estamos caminhando”, disse ela durante programa na emissora CBS, provocativa, depois de indagada sobre o que alguns analistas chamam de “Dream Ticket”, a chapa dos sonhos. “Mas é claro que temos de decidir sobre quem está na cabeça da chapa, e acho que o povo de Ohio deixou bem claro que essa pessoa deveria ser eu.”
Em teleconferência na tarde de ontem, os assessores da primeira-dama reforçaram o argumento da elegibilidade, citado por ela já no discurso de vitória na terça em Columbus, Ohio. “Se você examinar os resultados até agora, é ela, e não o senador, quem vence nos grandes Estados”, disse Mark Penn, estrategista-chefe de Hillary. "Isso será importante contra a briga for contra John McCain.''
Resposta de Obama
A campanha de Barack Obama ignorou a sugestão de uma chapa dupla e reagiu, rebatendo a tecla de que, apesar dos delegados ganhos pela concorrente com as vitórias em Texas, Ohio e Rhode Island, era ele, Barack Obama, vencedor em Vermont e em onze disputas consecutivas anteriores, quem continuava o líder na contagem total dos delegados e em número de Estados ganhos.
Obama aproveitou para subir o tom das críticas. Alvo nos últimos dias de anúncios negativos e denúncias como o “Naftagate”, que ajudou em sua derrota em Ohio, segundo sugerem as pesquisas de boca-de-urna, o candidato acusou o golpe. “Não há dúvida de que a senadora foi muito negativa na semana passada e isso deve ter funcionado em alguma medida”, disse em San Antonio, no Texas. “Mas as pessoas deveriam questionar melhor seus argumentos.” O senador disse que “80 viagens ao exterior como primeira-dama” não contam exatamente como experiência em política externa e questionou o fato de Hillary ainda não ter tornado pública sua declaração de renda de 2007.
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Confirmado, John McCain recebe o apoio de Bush
Washington - O presidente norte-americano, George W. Bush, declarou ontem seu apoio ao pré-candidato republicano à Presidência dos EUA, John McCain. O encontro aconteceu na Casa Branca. Nas últimas semanas, Bush tem defendido as credenciais de McCain como um candidato conservador -ainda que ele seja visto de um modo geral pelo partido como portador de uma visão mais liberal. McCain foi ainda um forte crítico de Bush em 2000, quando este foi o candidato republicano.
“O presidente diz que espera com ansiedade para fazer campanha pelo partido e ontem ficou claro que o nomeado do partido será o senador John McCain”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Dana Perino. Bush telefonou para os rivais de McCain que deixaram a disputa - Mike Huckabee, Mitt Romney e Fred Thompson - para cumprimentá-los por suas campanhas. Segundo a Casa Branca, Bush também deverá telefonar para Rudolph Giuliani - que disputou a nomeação republicana. Questionada sobre as discordâncias entre McCain e Bush, Perino disse que "eleições tem a ver com mudar e seguir em frente (...) (McCain) forjou seu próprio caminho e ele terá de preparar sua argumentação para dizer por que os eleitores deveriam votar nele”.