Reivindicada há 20 anos, a construção da moradia estudantil para alunos de baixa renda da Unesp de Bauru finalmente deverá sair do papel. Ao anunciar a liberação de verbas para erguer o alojamento, o reitor da universidade, Marcos Macari, deve pôr fim a uma luta estudantil que contou com ocupações, protestos, debates e muita negociação.
“Em 2003, houve um movimento muito forte, chamado ‘Eu quero uma casa no câmpus’, quando os alunos fizeram vários protestos”, conta Marjorie Ribeiro, aluna do 4.º ano de jornalismo.
Ela explica que, com a força do movimento articulado pelas entidades estudantis (diretórios e centros acadêmicos), que durou 174 dias, o diálogo para a efetiva construção dos blocos de moradia foi aberto. “Foi a primeira vez que o reitor começou a nos ouvir e a se propor a fazer as moradias”, diz.
Depois da pressão, ainda em 2003, foram realizados estudos técnicos que diagnosticaram a necessidade da construção dos blocos de moradia para os estudantes. O início das obras, programado para 2005, acabou sendo adiado para 2006, com a justificativa de que haviam dificuldades orçamentárias que extrapolavam o poder de decisão da Reitoria. No entanto, mais uma vez, a promessa não saiu do papel.
Em meados do ano passado, logo após o término de uma greve de professores, alunos e funcionários que durou 29 dias, Macari visitou o câmpus de Bauru e se comprometeu a construir o alojamento. “Na época, ele disse que havia 90% de chances de começar a construção das moradias ainda no primeiro semestre de 2008”, conta Marjorie, que integrou o movimento de greve.
Para a estudante Natália Mantovan, também aluna do 4.º ano de jornalismo, a universidade ainda é bastante deficiente no que tange à assistência estudantil. Ela explica que, mesmo não havendo custos com mensalidades, os gastos com transporte, aluguel e alimentação acabam sendo onerosos para alguns alunos.
Com a conquista da moradia estudantil, Marjorie e Natália acreditam que a construção de um restaurante universitário no câmpus se transformará no principal foco de reivindicação dos estudantes.