Equilíbrio e disposição. Para o bancário aposentado Accácio Rosa do Vale, 91 anos de idade, esses são os elementos que, combinados, constituem a chave para garantir a qualidade de vida na terceira idade. “É preciso ter a medida exata das coisas. Nem de mais, nem de menos. Assim, mantemos a vida centrada”, ensina. Neste sentido, esporte e interação social exercem um papel fundamental na vida dele. Lúcido e gozando de plena saúde, o aposentado representa um caso não muito comum: apesar da idade avançada – e das limitações impostas pelos anos de vida –, ele pratica regularmente atividades físicas, em especial o tênis.
Sua relação com esse esporte já tem mais de 70 anos e saldo de alguns campeonatos disputados e um título conquistado na década de 50. “A dupla adversária era tão forte, que jogamos a final só para cumprir tabela. Nem sei como ganhamos”, relembra. Atualmente, pelo menos uma vez por semana, com raquete em punho, Accácio se reúne com um grupo de amigos para disputar jogos amistosos.
Os encontros são realizados pela manhã, na Sociedade Luso-Brasileira. Se o corpo já não corresponde satisfatoriamente aos comandos do cérebro, não importa: para ele, vencer não é o principal. O esportista reconhece a importância dos exercícios físicos para a manutenção da saúde, mas aponta que o principal benefício é o convívio social que os encontros proporcionam.
“Depois das partidas, sempre tem aquele ‘bate-papo’ com os amigos, aquela interação. E esse tipo de relacionamento é muito importante para chegar aos 90 com saúde. Mais importante que ganhar, é a amizade”, afirma. Além do tênis, há um ano e meio o aposentado também começou a freqüentar academia. Em média três vezes por semana, ele sua a camisa fazendo exercícios aeróbicos e musculação.
Os resultados foram sentidos no corpo e na mente. “Aumentou a minha disposição e meu bom-humor”, confirma. Na alimentação, não faz restrições: come de tudo, mas sem exagero. “O que é de gosto agradável, eu como, mas sempre moderadamente”, enfatiza. Accácio é viúvo, tem dois filhos (formados em odontologia), três netos e um bisneto.
Outra atividade que contribui para que Accácio fique de bem com a vida é a pescaria. Há 25 anos ele vem se dedicando a esse lazer, mas relembra que os primeiros peixes foram fisgados ainda na infância. “Quando pequeno, eu pescava muito no rio Batalha. Na época, Bauru era uma cidade rural e tinha pouco mais de 20 mil habitantes”, relembra.
A atividade foi incrementada e o aposentado se orgulha de já ter pescado nos principais rios do País, como o rio Grande, o Amazonas, o Tietê, o Araguaia e o Paranapanema. Graças a isso, Accácio viajou muito e até perdeu a conta de quantos Estados brasileiros já visitou. “Eu devo muito à pesca, porque foi pescando que conheci o Brasil”, reconhece. E não é conversa de pescador. Ele faz questão de mostrar, num dos quartos da casa, o equipamento de pesca e fotos de excursões. Numa delas, ele e um amigo aparecem exibindo um pintado de 1,30 metro de comprimento e 18 quilos. “Na verdade, na maioria das vezes o peixe nem é importante. O que conta é conhecer novos lugares, pessoas e culturas diferentes”, diz.
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Família
Accácio Rosa do Vale mora sozinho em um apartamento em Bauru, mas não abre mão da convivência familiar. Todos os dias, ele faz questão de almoçar com a filha e com os netos. Nos finais de semana, os programas também costumam reunir todos os membros do clã Vale.
“Hoje em dia, as pessoas estão deixando a família de lado. E essa relação de proximidade com os familiares, esse convívio é fundamental para ter uma vida plena”, ressalta. A rotina é simples: ele se levanta às 6h, lê o jornal, se barbeia e prepara o próprio café-da-manhã.
A manutenção do apartamento fica por conta de uma diarista, que uma vez por semana faz o serviço doméstico mais pesado, mas até hoje o aposentado é o responsável por pequenos afazeres. “Eu faço pequenas arrumações, lavo minha roupa... para mim, é bom. É uma ocupação a mais”, explica.
Segundo o aposentado, o estilo de vida adotado por ele é determinante para a longevidade e responsável pela qualidade de vida que conquistou. A medicina comprova. Na semana passada, Accácio passou por um ‘check up’. O resultado: saúde perfeita.
Se equilíbrio e disposição constituem a chave para chegar à terceira idade com qualidade de vida, então, segundo Accácio, envelhecer com saúde depende muito atitudes de cada um. “Primeiro, é a graça de Deus. Mas Ele exige que a gente participe, que a gente ande corretamente. Em todos os sentidos”, finaliza.