Agudos - A Polícia Civil investiga denúncias de que o desaparecimento de José Carlos dos Santos se trataria de um homicídio em Agudos (13 quilômetros de Bauru). O delegado titular da cidade, Jader Biazon, por enquanto, trata o assunto com cautela porque possui apenas depoimentos que indicam que Santos teria sido morto. As denúncias sugerem que dois irmãos seriam os autores.
As duas pessoas suspeitas estão presas preventivamente desde o dia 26 de fevereiro deste ano, acusadas por roubo e por responderam inquéritos policiais também por roubos investigados por Biazon. Portanto, contra eles ainda não há provas materiais de que seriam os responsáveis pela morte de Santos, caso ela tenha ocorrido. Os suspeitos trabalham em uma carvoaria da família deles em Agudos, no mesmo lugar onde residia Santos, no bairro Chácara Avato.
Com base em denúncias, a Polícia Civil passou a investigar a hipótese da morte de Santos. “A informação é que esses dois irmãos teriam matado ele (Santos) ali na carvoaria. Eles teriam convidado a vítima até a carvoaria onde ofereceram água ardente e deixaram ele embriagado. Em seguida, o agrediram e cobraram a dívida dele. Em virtude dele não ter dinheiro para saldar a dívida, os dois irmãos teriam agredido até que ele veio a desmaiar. Ele foi jogado vivo dentro de um dos fornos de carvão que estaria aceso. Aí o forno teria sido fechado e a pessoa carbonizada ali”, relata Biazon, ao explicar uma das linhas de investigação apuradas até o momento.
O delegado fez uma diligência ontem e contou com apoio de equipe da Polícia Científica. Ele aguarda resultados de exames. “O que dificulta a investigação quanto à prova material é o fato do forno ter continuado a funcionar desde outubro, porque não se sabe a data exata que teria ocorrido isso aí. Então aquele calor é difícil para se ter alguma coisa”, ressalta. Santos completaria hoje 44 anos e está desaparecido desde a tarde do dia 7 de outubro do ano passado. A última pessoa que o viu foi sua mulher, a cozinheira Ivone Aparecida Gonçalves, 38 anos, que ao chegar em casa cruzou com Santos. Desde então, Ivone e o filho Vágner, 14 anos, vivem uma angustiante dúvida. Ela conta que Santos tinha sérios problemas com dependência de álcool, com tentativa de tratamento em várias instituições.
Ela explica que Santos adquiriu, há cerca de cinco anos, o hábito de ficar nas ruas do bairro e, às vezes, andarilhar por Lençóis e Bauru. Porém sempre voltava para casa. “Vinha para casa quando estava muito mal, precisando comer, dormir. Já tinha se afastado da família. Mas eu tinha ele como um irmão meu, para cuidar dele”, conta. Segundo Ivone, ele era conhecido no bairro e as pessoas, quando o encontravam, avisavam sobre o paradeiro dele. “Sou nascida e criada aqui. Quando saia para trabalhar, o pessoal falava assim: ‘Ivone, e o Carlos, ninguém está vendo ele na rua, você já fez boletim de ocorrência. Ele estava na companhia da família (dos irmãos suspeitos)’. Aí, comecei a ficar com aquela suspeita”, conta. Ivone registrou o desaparecimento de Santos no dia 20 de novembro último.
“Eu fico imaginando que pode ter acontecido isso (homicídio). Falei com meu filho que, se não ver nada dele, eu não quero acreditar. Chego do serviço pergunto se ele ligou ou se alguém viu ele na rua”, relata Ivone.