10 de julho de 2026
Internacional

Hamas reivindica atentado a Israel, mas sua participação é controversa

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Jerusalém - Prosseguia ontem a confusão em torno da participação direta do grupo radical islâmico Hamas no atentado que matou ontem oito adolescentes de um colégio de ensino talmúdico, em Jerusalém.

Um porta-voz não identificado do Hamas disse à reportagem, na faixa de Gaza, que seu grupo assumia “a plena responsabilidade pela operação”. Mas a versão era desmentida pelo diretor da rádio Al-Aqsa, de propriedade do grupo, para quem a reivindicação anterior da ação se devia a “uma confusão de informações”.

Abu Obeida, porta-voz do Hamas que em geral assume a paternidade de atos do grupo, afir” de reivindicar o atentado.

Em Gaza, a morte dos oito estudantes - eles pertenciam a uma instituição que apóia a instalação de assentamentos na Cisjordânia - foi amplamente comemorada em passeata. O serviço de alto-falantes anunciava que o terrorista que disparou contra 80 adolescentes judeus em biblioteca era motorista do seminário, informação negada pela polícia israelense.

Mark Regev, porta-voz do governo israelense, disse que “as investigações prosseguem para que saibamos quem está por trás desse terrível atentado”. O terrorista, Alaa Abu Dheim, 25 anos, morto por policiais, foi descrito pela irmã como “religioso”, mas sem vínculos com organizações militantes. Estava “comovido” com as operações militares de Israel em Gaza, que mataram 125 palestinos, parte deles civis.

Dheim era originário de Jabel Mukaber, aldeia próxima de Jerusalém Oriental. Os palestinos dessa origem possuem carteira de identidade israelense, Isso lhes permite circular livremente - o que não ocorre com moradores na Cisjordânia e, menos ainda, de Gaza.

Sepultamento

Milhares de pessoas compareceram ontem ao enterro dos oito estudantes, todos entre 15 e 19 anos, exceto uma delas, de 26 anos, que morreram no atentado realizado anteontem em Jerusalém. Os enterros ocorreram em vários cemitérios da cidade, que foi percorrida por cortejos fúnebres que partiram da escola Mercaz Harav, palco do pior ataque registrado em Jerusalém desde 2006.