Lausanne - “Todos os dias acordo pensando em Pequim”, diz a nadadora Rebeca Gusmão. “É isso que me dá forças para continuar treinando.” Ontem pela manhã, na Corte de Arbitragem do Esporte, em Lausanne, na Suíça, a nadadora enfrentou a primeira batalha para realizar o sonho de disputar os próximos Jogos. Durante cinco horas, Rebeca ficou diante dos três juízes que decidirão sobre um caso de doping de 2006, pelo qual a atleta pode pegar até dois anos de suspensão, o que destruiria o sonho olímpico.
O advogado Breno Tannuri, que defende a nadadora, saiu da audiência do mesmo jeito que entrou: pessimista. “Acho que temos uma chance em dez”, disse Tannuri. “O caso é muito complexo, cheio de nuances. Mas me agarro na chance que temos.”
No caso julgado ontem, a defesa argumenta que a contraprova do exame antidoping estava contaminada, e que por isso deveria ter sido descartada. O exame, realizado por um laboratório do Canadá, foi feito a partir de amostras recolhidas durante o Troféu José Finkel, em 2006. Renata Castro, ex-diretora-médica da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), depôs em favor de Rebeca, afirmando que um exame contaminado não é confiável cientificamente.
Vestindo terno cinza e camisa branca e aparentando cansaço após a longa audiência, Rebeca procurava manter a esperança, apesar do ceticismo de seu advogado. “Fui a primeira mulher a ganhar um ouro para o Brasil no Pan e acho que posso repetir numa Olimpíada”, disse, com sorriso tímido.
Sobre a decepção com a CBDA, que parou de apoiá-la, e com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), que pediu inquérito criminal sobre uma outra suspeita de doping, no Pan do Rio, em 2007 (leia abaixo), Rebeca disse que não afetará sua motivação de disputar os Jogos de Pequim. “Nunca nadei por ninguém, só por mim e pelo meu país”, diz a nadadora. “Duvido que vai ter alguma nadadora mais motivada do que eu.”
Embora o CAS tenha até 40 dias para anunciar um veredito, o advogado de Rebeca crê que a decisão sai na próxima semana. “Os juízes estava bem preparados, conhecem o caso a fundo”, disse Tannuri. O colegiado que julga o caso é formado por dois alemães e uma suíça.