08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Você, mulher


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Foram tantos anos de submissão com o enganoso codinome de “rainha do lar” que há pouco mais de meio século iniciou-se um movimento que tantas conquistas propiciou. Hoje não mais é rainha do lar, aliás, o lar, a família, é uma instituição em grave crise, parte dela pelo empenho das mães em contribuir na suplementação dos recursos materiais necessários à família, quando não apenas pelo desejo de fazer algo mais que os afazeres domésticos.

Sempre fui um entusiasta das conquistas femininas e sempre disse torcer para que, a cada dia, as mulheres assumissem mais postos importantes. Julgava que, guiadas pelo instintivo dom da maternidade e o maior apego à família, fossem elas capazes de criar condições para reverter a situação caótica em que se encontram a maioria das crianças e adolescentes, pela ausência dos pais na maior parte do dia na vida dos filhos.

Hoje me vejo extremamente preocupado com o que pensava ser solução. A mídia nos trás todos os dias denúncias de mulheres do Judiciário, do Executivo (Magé – interior do Rio de Janeiro - é o mais recente exemplo de corrupção praticada pela prefeita e sua família). Países da América Central desejando a deposição de sua presidente. Ministras envolvidas em escândalos de cartões corporativos, dando munição para novelas. São tantos que não serei enfadonho me alongando.

Usem a data comemorativa do Dia Internacional da Mulher (vocês estão em vantagem, pois não existe o dia internacional do homem), e todos os dias do ano para reflexionarem. Quanto a mulher perdeu por ganhar muitas batalhas? Trabalha em dupla ou tripla jornada, sente-se culpada pelo distanciamento dos filhos e tem consciência de que muito do que a eles acontece poderia ser evitado com a vigilância maternal.

Erram sendo permissivas ou coniventes com desvios dos filhos por se sentirem culpadas por isso. Vocês igualaram-se aos homens em tantas coisas ruins, como aids, tabagismo, etilismo, promiscuidade sexual. A título de se ombrearem, tem igual ou maior iniciativa na ruptura dos casamentos.

Às vezes, vemos adesivos em veículos com os dizeres: “minha educação depende da sua”. Ou seja, “eu não tenho personalidade, poder de decidir como agir. Eu apenas reajo de acordo com as circunstâncias.” Será que devemos seguir o mau exemplo dos que não tem educação? Será que devemos seguir qualquer tipo de mau exemplo ou conduta?

Esse raciocínio deve nortear sempre a vida de todo ser humano. Não seria diferente na luta da mulher por ocupar o espaço que lhe é devido no mundo moderno. Aproveitem esse momento que pede comemoração, mas exige reflexão, e se perguntem até onde é louvável imitar os homens. Nunca percam de vista os princípios de discernir entre o que se pode e deve fazer, do que se pode, mas não deve fazer e, mais ainda do que não se pode nem se deve fazer. Trilhando esse caminho as vitórias serão maiores e os enganos menores.

Orgulhem-se das vossas conquistas e lutem por muitas outras. Igualem-se aos homens nas coisas certas e ajudem-nos a deixarem de fazer o que não devem. Ocupem as lacunas tão preocupantes no desenvolvimento sócio-cultural-moral da nossa sociedade, ajudem a virar o jogo contra os vícios, os descaminhos que estão atormentando e destruindo a nossa juventude. Assim, poderão comemorar sem restrições e ter mais um feliz Dia Internacional da Mulher! Parabéns!

Áureo Antonio Érnica - RG 5.364.772-5