08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Campeã


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Ela ia andando com passo normal, com uma sacola de nenê pendendo no braço, uma bolsa comum à tiracolo e o nenezinho nos braços, dormindo pacificamente com o rostinho coberto com uma fralda de pano. Vestia uma calça jeans, mas não de grife, dessas que custam barato nas liquidações e a camiseta era também do mesmo padrão. E ia pensando: graças a Deus que a doença do nenê não é nada grave e a médica deu o remédio, eu não vou precisar comprar.

Com esse dinheirinho que eu tinha reservado e não vou precisar gastar, acho que vai dar para comprar um quilo de carne boa para bife. O Paulo vai ficar muito contente se quando chegar para jantar tiver bife. E vai dar para uns três jantares. Almoçar ele almoça marmitex no serviço dele.

Ela não precisava de academia para malhar, pois carregando sacola, bolsa e nenê e caminhando normalmente, sem mostras de cansaço nem de estresse, o coração cheio de ternura pelo filhinho e pelo maridão forte e trabalhador, já era exercício suficiente. Também não tinha necessidade de psicólogos, calmantes ou fisioterapeutas, gente que no seu mundo nem existia.

Sem drama, sem novela, sem notícia no jornal, vivia bem o seu dia-a-dia, com um único desejo: que depois da janta, depois que lavasse os pratos, quando o maridão começasse a fazer cosquinha no seu pescoço, o nenê dormisse um sono profundo e não acordasse como naquele dia em que ela teve de ir cuidar do nenê e quando voltou para a cama, o marido, cansado da dura labuta diária, dormia a sono solto, roncando até. Mas ela não se aborreceu, virou para o lado e dormiu pensando que amanhã será outro dia. Um troféu para essa campeã.

Isolina Bresolin Vianna - RG 3.027.947