08 de julho de 2026
Política

PV destitui comando do partido

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A reunião do Conselho Regional do Partido Verde (PV) em Nova Europa (entre Araraquara e Ibitinga), ontem, foi polêmica. Boa parte do encontro foi dedicada à discussão da comissão provisória do partido em Bauru. Durante a tarde, uma votação definiu a destituição de toda a comissão, comandada por Cláudio Turtelli. De acordo com o presidente do conselho regional do PV, João Francisco Bertoncello Danieletto, prefeito de Bocaina, os filiados da legenda em Bauru deverão discutir nesta semana, em data ainda a ser marcada, a composição da nova comissão provisória. Turtelli não foi encontrado pelo Jornal da Cidade.

O estopim da crise entre o militante e outros dirigentes do PV foi uma entrevista concedida ao Jornal da Cidade, publicada no dia 9 de janeiro. Na ocasião, ele avaliou que a legenda desempenharia papel de coadjuvante nas eleições municipais deste ano. “A campanha precisará ser preparada e ter o mínimo de prazo. Mas as campanhas atuais são praticamente decididas em três meses e o PV, seja lá quem for o candidato, tem ciência de que não vai ser vencedor no pleito e só irá fazer um trabalho institucional. Não é uma campanha para envolver e gastar dinheiro e arrecadar fundo. Vai ser uma campanha institucional para ajudar o partido”, afirmou na entrevista.

Para Danieletto, a manutenção de Turtelli se tornou insustentável. “A declaração dele desagradou os membros do partido. Bauru é uma das maiores cidades que compõem a nossa bacia e não tem sentido o partido participar da eleição de maneira institucional. Foi grave e contra a tendência de crescimento do partido”, avaliou.

Durante a reunião de ontem, a destituição da comissão comandada pelo militante foi confirmada em votação por 21 votos a favor de sua saída contra três que defendiam a sua permanência. De acordo com Danieletto, o secretário estadual de formação do PV, Maurício Brusadin, acompanhou e acatou a decisão e vai orientar a legenda na constituição de nova executiva provisória para Bauru nesta semana.

Danieletto informou que o filiado Clodoaldo Gazzetta chegou a apresentar uma comissão provisória para a cidade pela manhã, mas a proposta não foi colocada em avaliação. “Como ainda não tinha sido votada a destituição, entendemos que não teria sentido”, observa o dirigente. “Além disso, achamos melhor ouvir os filiados de Bauru”, afirma.

O dirigente destacou que na manhã de ontem, Turtelli estava muito exaltado durante a reunião. Ele teria tentado fazer uso da palavra, mas foi impedido. “Nós achamos que ele não estava em condições de fazer qualquer defesa, porque foi percebido que ele queria fazer um ataque pessoal ao deputado federal Paulo Tóffano, que estava presente. Então foi direcionada toda a discussão ao coordenador do partido em toda a região de Bauru”, explicou.

Durante a tarde, quando foi realizada a votação, o militante não estava presente. Mesmo com a destituição, o prefeito de Bocaina ressalta a importância de Turtelli para a legenda em Bauru. “Ele sempre foi um grande companheiro de partido, uma grande liderança entre os verdes, teve um papel atuante. Mas infelizmente ele não soube conduzir o processo de eleição de 2008”, observa.

Pessoal

O vereador Primo Mangialardo, único representante da legenda na Câmara Municipal de Bauru, lamentou a destituição de Turtelli. Para ele, a decisão foi equivocada. “Tomaram a decisão baseada em motivação pessoal”, sustenta. Para o vereador, a saída de Turtelli do comando do PV já era comentada. “Mesmo antes das declarações da entrevista já se falava nisso”, conta.

Mangialardo destaca que a legenda perderá principalmente no trabalho de base em Bauru. “Tínhamos um grupo de candidatos a vereadores muito coeso, graças ao desenvolvimento feito por ele. Turtelli comandava este grupo e tinha um conhecimento da base muito grande”, diz.

O JC tentou entrar em contato com o coordenador regional de Bauru, Tidei de Lima, e com Turtelli, mas ambos não retornaram recados até o final da noite de ontem.