08 de julho de 2026
Geral

Corpo e mente ativos = longevidade

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Um estilo de vida ativo, associado a alguns cuidados que devem ser tomados quando a pessoa ainda é jovem (como controlar as doenças crônicas, não fumar e praticar exercícios físicos regularmente), pode ser considerado a receita para a longevidade, assunto que preocupa cada vez mais os brasileiros, sobretudo numa época como esta, em que a média de vida da população vem crescendo sem parar.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, em 2000, indivíduos com mais de 65 anos representavam apenas 5% da população, mas em 2050 a participação dos idosos no número total de habitantes do País deverá saltar para 18%.

“A expectativa máxima de vida está ligada a fatores genéticos e ambientais. Em geral, as pessoas vivem mais porque têm uma predisposição para isso e também porque controlam fatores externos de risco”, explica o geriatra bauruense Júlio Rodrigues Horta Filho. “Se a pessoa fuma, bebe em excesso e leva uma vida desregrada, os genes pouco a ajudarão a alcançar a longevidade”, completa.

Segundo especialistas, aqueles que desejam viver mais (e melhor) devem começar a adotar certos cuidados no dia-a-dia antes que a velhice ameace bater à porta. “A palavra-chave, nesse caso, é prevenção. As pessoas devem procurar o médico com regularidade e passar por avaliações periódicas. Dessa forma, terão mais chances de retardar - ou mesmo evitar - doenças crônicas, como diabetes ou hipertensão”, afirma o geriatra bauruense Luciano Humberto Soares Camargo.

Quando tinha por volta de 70 anos de idade, o professor de violão e funcionário aposentado das oficinas da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) Joaquim Carmelo Grillo começou a sentir alterações na pressão arterial. “Fui ao médico e ele recomendou que eu fizesse um regime”, conta o músico, que na época, deixou de consumir carne vermelha e embutidos (salame, salsicha e mortadela).

Faz tempo que isso ocorreu - mais de duas décadas, para ser exato. Atualmente, Carmelo, modo como o violonista costuma ser chamado pelos amigos, tem 93 anos (completará 94 em julho) e não apresenta problemas comuns à maioria dos idosos - falta de ar, cansaço, perda de memória, por exemplo. Quase nunca se queixa de dores e é capaz de ler sem a necessidade de óculos. “A única coisa em mim que anda meio prejudicada é audição, mas uso aparelho para corrigir essa perda”, diz.

Mas qual o segredo para toda essa vitalidade?, perguntaria alguém. A resposta é simples: Carmelo não pára um segundo que seja. “A melhor coisa para quem deseja viver mais é nunca parar. Se você se acomoda, a depressão vem e toma conta. Lembro-me de colegas meus da NOB que, depois de aposentados, achavam que o negócio era ficar o dia inteiro de papo para o ar. A maioria deles morreu. Só fiquei eu para contar história”, diz o músico.

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Astral elevado

Além da vida ativa e dos cuidados referentes às doenças crônicas, o astral elevado é apontado por especialistas com um dos fatores que contribuem para que as pessoas atinjam a longevidade (assim como o contrário também pode ser considerado verdade, garantem os estudiosos).

“Basicamente, o ser humano é composto de três partes: espírito, alma e corpo. Se uma delas apresentar algum tipo de problema, as demais certamente irão sofrer”, afirma o clínico-geral e hematologista Daniel Ditzel, que estudou durante três anos na Universidade de Harvard, onde realizou pesquisas relacionadas ao câncer.

De acordo com ele, a depressão faz com que a imunidade dos indivíduos caia. “Pessoas nessa situação costumam estar mais sujeitas a infecções por microorganismos ou mesmo ao desenvolvimento de cânceres”, garante.