09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Toninho Guerreiro e Distritais


| Tempo de leitura: 4 min

“Sonhar com o futuro é esperança! Sonhar com o passado, é saudade! Frutos de cinzas e amor, e um recebe do outro em herança, o momento em que passa, a resposta é a realidade.”

A evolução do homem é a evolução de sua consciência e a evolução da consciência é a evolução da cultura. Como morador de Bauru há 17 anos, sinto-me no dever de colaborar com a cultura bauruense. Fiquei surpreso e motivo de emoção quando no Núcleo Habitacional Mary Dota notei um Estádio Distrital com o nome de Toninho Guerreiro. Lembrando-me que já fui fanático pelo Santos Futebol Clube nas décadas de 60 e 70, viajava de São Paulo a Santos constantemente, tive o sentimento de orgulho em participar e conhecer a nata do glorioso Alvinegro Praiano nos seus treinos que na ocasião era sempre nas quintas-feiras, sem acreditar que aqueles ídolos que via na televisão e imaginava enormes, eram homens comuns.

Ninguém era páreo para o Santos FC, escalado com: Gilmar, Carlos Alberto, Mauro Orlando, Geraldino, Joel, Lima, Dorval, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe. Havia ocasião antes do jogo principal, assistir a partida preliminar, pois é pela primeira vez que ouvi falar de um jogador que mais tarde seria tricampeão mundial: Edu, ponta-esquerda do Santos FC, um garoto como ele, acabou com a Preliminar, driblando sem parar o jogo inteiro, seu nome Jonas Eduardo Américo, Edu de Jaú, como narrava o saudoso Fiori Gigliotti. Lembrando também do goleiro Marola, exemplo de dedicação e força de vontade com os “Meninos da Vila”, Cardim, Cilinho, Célio e tantos outros. Felicidades a todos os esportistas da bela cidade de Jaú. Hoje sou um mero saudosista, o que foi “bom” no passado precisa ser lembrado, agora o que é de entristecer, é que até o momento, não vi e nem ouvi historiador, especialista, imprensa esportiva, lembrar deste ilustre bauruense. A impressão é que valores culturais estão esquecidos da mesma forma o estado de abandono em situações precárias que encontram os nossos estádios distritais.

Quero através desta conceituada coluna colaborar com a imprensa esportiva bauruense e nossos jovens, pois quem não gosta ou admira momentos futebolísticos de algumas pérolas?

Apreciadores deste esporte chamado futebol que provoca paixões pelo Brasil, conhecem a forma descontraída e simpática como Milton Neves apresenta casos durante os plantões esportivos. Certa vez, a Rádio Tupi, anunciou o tape de Santos e Prudentino para a meia-noite. À meia-noite e quinze minutos, o locutor anunciou um pequeno atraso. Enquanto isso, a emissora apresentou um faroeste com Randolph Scott, o qual matou mais de mil índios com um único revólver. Ficamos até às duas horas da manhã e o tape não entrou no ar.

Em julho de 1972, no Detran, Milton Neves conheceu muita gente famosa, jogadores de futebol como Toninho Guerreiro, César Maluco, Leivinha etc., freqüentavam a sala de imprensa para pedir orientação aos amigos jornalistas sobre lacração de seus carrões. Além deles, cronistas esportivos também apareciam por lá e Milton Neves foi fazendo amizade com Orlando Duarte, Osmar Santos, J. Háwilla. Pode enfim, conhecer pessoalmente seu ídolo, Fiori Gigliotti.

No Plantão Esportivo, Osmar Santos, chefe de esportes da Pan, reconheceu a voz do repórter de trânsito e o convidou para fazer o plantão esportivo. Até então o plantão funcionava em rodízio. Aos sábados revezavam-se: Milton Parron, Aluani Neto e Fausto Silva. Faustão foi o primeiro a dar o grito de independência: não faria mais plantão “porque não cabia na cadeira”. Em 1974, Milton Neves fé era titular absoluto do plantão esportivo da Pan.

Jornalistas brasileiros acompanhavam a macabíada de 85 em Israel. A grande atração era conhecer e banhar-se no bíblico Mar da Galiléia, que é o Tiberíades. Milton Neves não perdeu a chance e jogou-se na água. Osmar Santos e Samuel Ferro (do desafio ao galo da TV Record), hoje competente repórter da TV Preve, disseram que se ali Cristo havia andado sobre as águas, eles também iriam fazer o mesmo. Essa passagem teria que constar em livro (histórias do futebol por Milton Neves).

Quanto aos estádios distritais, não justifica o que a atual Administração Pública alega, falta de recursos, quando não há investimentos, manutenção e reforma, onde começa o básico para a iniciação ao esporte, sendo: quadras esportivas, centros de treinamentos e estádios distritais, encontrando-se em péssimas condições, porquanto, a máquina administrativa trabalha para arrecadação, porém, não retorna o benefício para a sociedade. (JC, 16/fev/08, pg. 04).

As condições que se encontram os estádios distritais são precárias e necessitam urgente de providências, isto é, as três secretarias: Esporte, Obras e Cultura, trabalharem juntas no sentido de unir esforços, para adequar o que dispõe sobre Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), artigo 4 e 59; convidando pessoas de relevantes serviços prestados ao esporte com capacidade e reconhecimento internacional, como o atleta Mário Sabino, pessoa técnica, para o lado sócio-educativo das crianças e adolescentes, principalmente dos que vivem nos bairros mais afastados do centro e que por condições econômicas não podem freqüentar um clube particular, na preocupação de encaminhá-los para o esporte.

Cícero Scarpelli - RG 9.113.165-5