Como em qualquer canto do País, em Bauru também religião e ciência divergem quando o assunto é o uso de embriões em pesquisas. O início da vida está no centro do debate.
“Não se tem uma resposta de quando é que começa a vida. Diante dessa dúvida, o ideal é preservar o embrião. O risco sempre será de dar fim a uma vida”, explica Edson Valentim, presidente do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru e Região. Mas os embriões que estão sendo propostos para serem utilizados jamais virarão vida porque não serão implantados no útero e serão desprezados, rebate o biólogo e geneticista Esiquiel de Miranda.
No entanto, para a Igreja Católica o embrião já é o início da vida. “A igreja não é a favor justamente por essa tese. Para nós, o início da vida está na junção dessas duas células e ali começa uma nova vida humana. Eu sei que têm contradições a respeito, tanto no campo da ética quanto no campo científico. Mas a igreja mantém essa mesma posição”, acrescenta o vigário-geral da diocese de Bauru, Luís Sé.
Segundo ele, a igreja apóia as pesquisas de célula-tronco não embrionárias. “Antes de mais nada, estamos num País laico. A lei não deve ouvir a opinião de qualquer estrato religioso. Depois eu creio que, tendo a tecnologia disponível, a pessoa opta de acordo com sua opção religiosa. O que não pode é impedir o progresso científico que vai ajudar a humanidade”, ressalta o biólogo e geneticista.
Para Miranda, que é cientista e acredita em Deus, as pesquisas só chegaram onde chegaram porque Ele autorizou. “Na Bíblia está escrito que não cai uma folha sem que Deus queira. Nós não chegaremos além do que Ele permitir. Qual o sacrifício para salvar uma vida?”, questiona. O biólogo lembra que, para os cristãos, Deus sacrificou o próprio filho para salvar a humanidade.
Diante dessa ótica, um embrião que jamais seria implantado deveria ser usado em terapia para salvar uma criança, que corre o risco de morrer, por exemplo. “A igreja tem razão quando prega seus dogmas, mas a ciência também tem suas razões e ela não pode ser barrada por dogmas religiosos”, conclui o coordenador do Conselho Municipal de Saúde de Bauru, Cláudio da Silva Gomes.