Rio - No primeiro dia das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas favelas do Rio, um policial militar morreu durante confronto na favela da Rocinha, zona sul, na manhã de ontem. Ele foi baleado e atingido por estilhaços de uma das granadas arremessadas por criminosos que integram a quadrilha de traficantes local. Parte dos estilhaços alcançou uma casa e provocou um incêndio.
A troca de tiros assustou os funcionários da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop) que começavam a montar um dos canteiros de obras na favela. O trabalho foi interrompido. Ninguém foi preso.
Segundo o comandante do batalhão do Leblon, coronel Carlos Milan, a unidade recebeu uma denúncia sobre uma casa que abrigava um grupo de traficantes que portava armas de guerra. Os criminosos estariam na rua Um, no trecho da localidade conhecida como “199”, em uma das partes mais altas da favela.
A equipe responsável pelo patrulhamento no local foi confirmar a informação e um intenso tiroteio foi iniciado, de acordo com a polícia. O sargento João Luiz Nunes Rafero, 41 anor, foi atingido por estilhaços de uma das granadas lançadas contra os PMs. Levado para o Hospital Miguel Couto (Leblon, zona sul), o militar não resistiu ao ferimentos.
Em seguida, homens do Corpo de Bombeiros chegaram até o local do confronto para controlar o incêndio em uma casa, também provocado pela explosão da granada. A residência estava vazia, mas, segundo a PM, no térreo, moram um casal e o filho de 13 anos. Já no segundo piso, vive mais um casal com um bebê. Em outra casa, a PM encontrou uma metralhadora, duas granadas e uma pequena quantidade de drogas. Mesmo distantes a um quilômetro do local onde houve o confronto, funcionários da Emop se surpreenderam com o barulho dos disparos e de explosões de granadas.
Segundo o diretor de obras da Emop, José Carlos Pinto, o caso não mudará o cronograma de instalação do canteiro de obras. Ele disse que esteve na Rocinha e não soube da ação da PM. Há quatro dias, durante cerimônia de lançamento das obras na Rocinha, o presidente Lula, criticou a truculência policial nas invasões de morros e favelas no Rio e disse que a polícia não pode entrar nas comunidades “batendo em todo mundo”. Já no conjunto de favelas do Alemão e de Manguinhos, zona norte, o primeiro dia das obras do PAC transcorreu normalmente.