08 de julho de 2026
Articulistas

Trânsito caótico


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Há quase dois anos escrevi e descrevi nesta coluna o meu posicionamento em relação ao “trânsito caótico” que, segundo os nossos alunos que chegam de outras cidades, é incomparável a qualquer outro lugar. Alunos vindos do Estado da Bahia, de cidades aqui do Interior de São Paulo, da Capital, enfim, de lugares diversos, descreviam a confusão que percebiam o trânsito da cidade em sala de aula, e, por coincidência, um deles sofrera um grave acidente ao ser atropelado por um motociclista na passarela de pedestre próxima ao Shopping, na avenida Nações Unidas. Fomos parar na UTI do hospital de Base, onde meu aluno foi atendido. Que tristeza ver os pais visitarem seu filho no hospital, vítima de acidente de trânsito na cidade onde estudava ao invés de vê-lo na Universidade, juntamente com os outros colegas que prosseguiram as aulas normalmente.

Infelizmente, mesmo com os esforços da Polícia Militar na Campanha Anual de Trânsito realizada com o intuito de conscientizar motoristas e alertar pedestres quanto às normas de segurança no trânsito, muitos motoristas parecem não se identificar com estas questões. Conheço muitos que usam cintos de segurança quebrados – e passam por cima do corpo para “fingirem” enganar a polícia – e mal percebem que estão enganando a si mesmos; outros que podemos ver à luz do dia maltratando o pedestre somente porque ele estava atravessando a rua quando o motorista passava em alta velocidade; outros que sobem a Antônio Alves, nos Altos da Cidade e descem a Araújo Leite, na mesma altura, numa velocidade espantosa a ponto de ser difícil fazer qualquer manobra naqueles locais.

Enfim, por ter contribuído com uma das Campanhas de Trânsito que muito repercutiu com resultados positivos na ocasião do Centenário da Cidade, em 96, juntamente com alunas do curso de Relações Públicas da Unesp, a Polícia Militar e uma agência de publicidade de São Paulo é que continuo apostando na educação para o trânsito. Os dados resultantes do número de acidentes de trânsito ocorridos somente em 2007 apresentados na reportagem desse jornal, domingo, 9 de março último, demonstra uma aberração. Dezenove acidentes por dia, 6.952 acidentes ocorridos durante aquele ano, resultando em 30% com vítimas! É assustador! Tão assustador quanto tentar estacionar nas avenidas Duque de Caxias e Rodrigues Alves, de cruzá-las – assim como a avenida Nações Unidas e outros tanto pontos da cidade de difícil trânsito tanto para pedestres como para motoristas.

Sugiro que a Emdurb e Polícia Militar, em ação conjunta na Campanha de Trânsito Anual, mostrem mais para a população COMO estes acidentes ocorrem e POR QUE. Quem sabe assim pelo menos seja possível um pouco mais de consciência dos problemas causados por outros, enquanto isso, esperamos, torcendo e rezando para não sermos a próxima vítima.

A autora, Adriana Nigro Cardia, é professora de Comunicação Social, formada pela ECA/Escola de Comunicações e Artes da USP