09 de julho de 2026
Bairros

Escola municipal serve comida enlatada

Por Luciana La Fortezza | Da redação
| Tempo de leitura: 3 min

Corriqueiro em países como a Inglaterra, o feijão enlatado foi incluído, provisoriamente, na merenda de escolas municipais de Bauru. A novidade no cardápio, no entanto, desagradou parte de pais e alunos. Se para as crianças o problema é o paladar, para as mães, a insatisfação tem relação com o valor nutricional e os conservantes dos produtos.

A situação é ainda pior para aquelas cujos filhos têm restrições alimentares. É o caso de Raynam Felipe Anacleto, 5 anos, matriculado no pré da Escola Municipal de Educação Infantil Maria Izolina Theodoro Zanetta, no Jardim Eugênia. Por ter superado uma nefrite (inflamação nos rins), tem de evitar sal e conservantes.

“Deu muita dor de barriga nele. Comecei a estranhar”, conta a mãe Priscila Aparecida Anacleto. Preocupações como a dela foram levadas a Angela Maria Brito Silveira, presidente da Associação de Moradores da Vila Santista, São Francisco, Jandira, Serrão e Jardim Solange. “Tem mais crianças que passaram mal, mas as mães têm medo de falar”, informa ela.

Angela também tem um filho matriculado na Emei, assim como Carla Vanessa de Oliveira. “As nutricionistas orientam para dar o alimento o mais natural possível. Isso revolta a gente”, conta a dona de casa, que soube da distribuição de alimentos enlatados numa reunião da escola. Ao contrário dela, seu filho Guilherme Felipe de Oliveira, 5 anos, gostou da novidade.

Preocupação

“Mas não é saudável para adulto, quanto mais para criança”, acrescenta Angela. Segundo ela, a carne servida também seria enlatada. Preocupada, levou o caso ao vereador Primo Mangialardo (PV). “Algumas mães se queixaram que seus filhos passaram mal, tiveram ânsia de vômito”, reitera o parlamentar.

De acordo com ele, foram oferecidos carne, feijão e sardinha enlatados na Emei. Seus assessores checariam se o problema é extensivo a outras escolas, como foi confirmado pela assessoria de imprensa da prefeitura. Por intermédio da Comissão de Fiscalização da Câmara Municipal, Primo pretende acionar as secretarias municipais da Administração e da Educação.

“Vou solicitar à comissão para que nutricionistas e a Vigilância Sanitária dêem parecer sobre isso”, explica. Mas na opinião da nutricionista Sylvia Regina Vieira Tosi, o ideal é não oferecer enlatados às crianças, justamente por conta dos conservantes. “Quanto mais natural melhor, principalmente para criança em desenvolvimento”, explica.

Caso não seja possível evitar, quem for servir o alimento deve se atentar à lata, checar se ela não está amassada ou com furo. Depois, ainda deve avaliar o aspecto do alimento, antes de oferecê-lo.

____________________

Provisório

A Prefeitura de Bauru, por meio de assessoria de imprensa, informa que o fornecimento de feijão enlatado na merenda escolar das unidades municipais foi provisório, enquanto o fornecedor do produto normalmente utilizado realizava a substituição de um lote que foi recusado pelo em razão da qualidade não estar dentro dos padrões estabelecidos.

O novo lote começou a ser entregue na última sexta-feira e já está sendo distribuído nas unidades municipais. Ainda segundo o órgão de comunicação, o Departamento de Merenda Escolar da Secretaria Municipal de Educação não recebeu, até ontem à tarde, reclamações de alunos, pais ou servidores.