11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Desanimado, presidente da associação de locadoras desiste de combater pirataria

Marcelo de Souza com Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

O tema principal da reunião de ontem do Conselho de Segurança (Conseg) Centro/Sul de Bauru foi o combate à pirataria de CDs e DVDs, cuja venda é praticada em vários pontos da cidade, sobretudo no Centro e na Feira do Rolo. Até um representante da Associação Antipirataria de Cinema e Música (APCM), Marcelo Marcondes Marques, participou da reunião. Mas reclamando de falta de união das autoridades, o presidente da Associação das Videolocadoras de Bauru, Avanilton Sebastião, disse que deixará do cargo e desistirá de combater a pirataria.

Para ele, não há uma ação efetiva das autoridades no combate à pirataria, por isso não está valendo a pena lutar. “Eu desisto. Não adianta a gente brigar sem ter respaldo das autoridades”, disse, afirmando que não vai mais presidir a sssociação. “Vou entregar meu cargo porque estou desiludido”, salientou.

Porém para Marques, a situação já esteve pior na região, mas ainda está longe de ser ideal. O principal problema, na sua avaliação, é o fato da maioria desses produtos vir do Paraguai. “Mesmo com a ação constante da Polícia Federal, muitos ainda passam”, disse. Com relação ao combate à pirataria em Bauru, Marques entende que falta integração entre as forças policiais e o poder público, para atingir o problema na raiz e não somente nos pontos-de-venda.

Para o subcomandante do 4o Batalhão da Polícia Militar do Interior (4o BPMI), major Nélson Garcia Filho, o combate à pirataria pode ser comparado a enxugar gelo. “Quanto mais você apreende, mais aparece”, destacou. De acordo com o major, a PM tenta fazer sua parte, que é a apreensão dos produtos nos pontos-de-venda, mas se não houver uma ação sistêmica entre as várias forças, será difícil acabar com a pirataria.

O delegado titular do 3.º Distrito Policial, Silberto Sevilha Martins, destaca que as videolocadoras reivindicam justamente. “São empresas corretas, pagam impostos”, observa. Porém, ele avalia que os comerciantes informais também precisam ser ouvidos. “É preciso ter cidadania e perceber que eles estão numa situação aflitiva. São pessoas que tentam o sustento da família de forma digna”, pondera. Ele destaca que além da polícia, o combate à pirataria também passa pelas três esferas do poder público e é preciso haver consenso.