A Polícia Militar (PM) acompanhou ontem a retirada de sete pessoas - entre elas duas mulheres e uma criança - que ocupavam há alguns meses o prédio desativado da Cadeia Pública de Bauru, no Centro. A desocupação, realizada a pedido do diretor do Instituto Médico Legal (IML), Ivan Segura, ocorreu de forma pacífica.
O médico explicou que, em breve, o prédio do Cadeião será utilizado para a ampliação do Centro de Perícias Médico-Legais de Bauru e que, por isso, precisa permanecer fechado para não sofrer maiores depredações. O prédio está fechado desde maio de 2003. Ontem, ele designou um funcionário do IML para trancar todas as portas e portões da cadeia com correntes e cadeados. A ação foi acompanhada pela PM e os sem-teto não ofereceram resistência.
De acordo com Segura, para que as obras sejam iniciadas, o projeto ainda aguarda liberação de verbas do Estado ou o estabelecimento de parcerias com empresários da cidade. “Ainda não há nada definido, mas poderemos utilizar o prédio para construir um laboratório de toxicologia e uma sala para arquivar documentos, por exemplo”, detalha.
Um dos sem-teto que ocupavam o local era o guardador de carros Valdecir Alves de Almeida, 42 anos. No final da tarde de ontem, quando seus colegas já haviam ido embora, ele chegou ao prédio e ficou surpreso ao ver seu colchão na calçada e o portão da cadeia trancado.
Ele diz ser o primeiro morador de rua a ocupar o prédio, em outubro do ano passado, quando chegou a em Bauru, vindo de Gália. “Passei uns dias dormindo na rodoviária. Quando vi que a cadeia estava abandonada, vim para cá. Depois de um tempo, começou a chegar mais gente”, afirma.
Almeida conta que ele e a maioria dos amigos permanecia o dia todo nas ruas atuando como guardadores de veículos, próximo à sede do Poupatempo. À noite, segundo ele, todos voltavam para ‘casa’, onde descansavam e realizavam os afazeres domésticos, como cozinhar (em uma fogueira) e lavar roupas.
Mesmo vivendo em condições precárias, sem água e energia elétrica, Almeida afirma que o prédio desativado do Cadeião era um bom lugar para viver. “Agora, não sei mais onde vou passar a noite. Vou ficar na rua de novo”, lamentou.
De acordo com o comandante interino da Base Comunitária Norte da PM, sargento William Carlos Vieira, não caberia à PM encaminhar os sem-teto a abrigos da cidade, já que a corporação foi acionada apenas para mediar a retirada dos ocupantes e acompanhar a reposição das trancas pelo funcionário do IML.