Justiça é a virtude do Direito, cuja autoridade é complacente para estabelecer a ordem e corrigir ilicitudes. Ouvimos praticamente todos os dias melodias escarradas por menores pedintes: “Tio, dá pra mim uma moedinha?”. Em um ímpeto trancamos as portas dos carros e fechamos os vidros. Perdemos o senso humano e nos escondemos como tartarugas em nossos cascos blindados.
Essa magistratura carnavalesca agride a moral de nós, brasileiros. Enquanto um artesão está preso por roubar uma lata de leite para o enteado, “onde está Lalau?”. Esse é o símbolo da barbárie vestida de toga. O excelentíssimo e “indigníssimo” juiz está desfrutando da sua glamurosa mansão e deleitando-se com os milhões roubados dos cofres públicos.
Semblante fechado e pernas exauridas de tanto percorrer o mundo, a miséria caminha na contramão com a justiça social. Encaramos como uma predestinação “malthusiana”, ou seja, a fome tornou-se banal. Tal situação serve para discursar em tom “acaciano” a fim de angariar eleitores pitorescos.
Segundo o escritor espanhol Miguel de Cervantes, “a honestidade é a melhor política”, porém, nos encontramos em um mangue de imoralidade. Enquanto esse mangue oferece camarões ao luxo, o lixo é o ponto final do “homem-bicho”.
Enquanto não escutarmos entre um verde e um vermelho “Tio dê-me uma moeda!”, nos fecharemos “imundos” em mundos particulares. O motivo é a educação repugnante que promove a ignorância generalizada, presa a superficialidades de fácil influência televisiva.
A fabricação de colírios está escassa, estamos usando apenas óculos escuros. Esse protege-nos da claridade diurna, evitando que deparemos com humanos domesticados perambulando pelas esquinas. Por isso o colírio tornou-se raro!
Bruna Silvestre Innocenti Giorgi - estudante - RG 46.385.456-1