10 de julho de 2026
Política

Cohab ajusta contas, mas aumenta folha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

As contas de 2007 da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) são favoráveis, com o balancete contábil apontando equilíbrio entre receitas e despesas. Mas sem conseguir avançar na depuração de contratos, a companhia local aumentou seu quadro de funcionários em mais de 50% em um intervalo de 15 meses.

A Cohab-Bauru de 2006 tinha de correr atrás do recebimento de prestações dos mutuários para conseguir repassar R$ 2,8 milhões todo mês à Caixa Econômica Federal (CEF). Agora, em 2008, a empresa de economia mista cujo capital majoritário é da Prefeitura de Bauru conseguiu reduzir a fatura para R$ 1,670 milhão, sendo R$ 1,3 milhões de retorno de prestações mensais e R$ 370 mil de resíduos de contratos já finalizados.

A obrigação de pagar a CEF é contratual: todas as moradias entregues nos últimos 20, 30 anos e que ainda contam com financiamento a pagar precisam ser quitadas pela Cohab. E a dívida com a CEF independe se a Cohab vai receber ou não do mutuário. Daí a explicação para entender porque a redução no valor do retorno mensal à CEF alivia as finanças da Cohab.

Conforme dados apresentados pelo presidente da companhia, Édison Bastos Gasparini Júnior, a receita com mutuários rendeu R$ 33,7 milhões em 2007, contra um total de despesas de R$ 33,9 milhões. Mas a cifra em si não revela, para a sorte dos gestores da Cohab, que o resultado contábil final apurado no ano nem assim é negativo. “O lucro líquido contábil foi de R$ 1,052 milhão em 2007”, comemora Gasparini Júnior.

A diretoria levanta que, no universo das despesas e receitas, estão restos a pagar e migração de recursos de um ano para o outro, o que explicaria o resultado contábil positivo apesar da diferença negativa na conta pura e simples do confronto do “caixa” com os “cheques”.

O dado financeiro não atrai mau agouro nas contas, até porque do resultado do lucro ainda estão computados os recolhimentos obrigatórios com Imposto de Renda (R$ 400 mil equivalentes a 25%) e da Contribuição sobre Lucro Líquido (9% ou R$ 154 mil).

Além disso, se todos os contratos da Cohab fossem finalizados hoje, em um encontro global de contas, o resultado contábil seria de r$ 46 milhões positivo. Isso significa que se todos os mutuários passagem suas contas a companhia teria R$ 720 milhões, com a contrapartida de ter de repassar R$ 659 milhões para o agente financeiro em uma hipotética liquidação dos contratos. Mas isso é hipótese, porque neste universo estão pelo menos R$ 157 milhões de créditos que poderiam ser pejorativamente taxados pelo mercado de “podres”, aqueles em que o recebimento é mais difícil do que levantar um tijolo para uma casa nova, missão que a Cohab não consegue desempenhar, por sinal, há mais de 10 anos com suas próprias forças.

Mais funcionários

A corrida pela depuração de contratos (a maioria da gestão passada) e tentativa de regularizar cada uma das carteiras estabelecidas, aliada à cobrança, levou o presidente da Cohab a ampliar o quadro. Para quem não tem mais de 10 anos de vida para a maioria dos contratos em vigência, sair de um quadro de pouco mais de 70 funcionários para 110 não é simbólico.

Grosso modo, a companhia ampliou o número de contratados por concurso em 52% e os resultados no crescimento de receita não acompanham o mesmo patamar. Por esta razão, a folha de pagamentos que há meses era de pouco mais de R$ 200 mil agora já ultrapassou a barreira dos R$ 300 mil e pode chegar a R$ 350 mil neste exercício, conforme a própria companhia.

Pior: se o governo federal abrir novas etapas de anistia aos mutuários, como já ocorreu algumas vezes nos últimos governos, a companhia terá muita gente para o mesmo volume de contratos ativos a médio prazo e em constante perspectiva de redução da carteira, hoje com não mais de 23 mil inscritos.

A ação de refinanciar contratos ameniza esse quadro, mas gera uma realidade artificial para a sobrevivência da companhia: é refinanciamento daquilo que já existia, não é contrato baseado em projeto, recurso, construção e tijolos novos.