As micro e pequenas empresas do Interior do Estado de São Paulo - incluindo Bauru - registraram aumento no faturamento real (já descontada a inflação) de 10,2% em janeiro deste ano sobre o mesmo período de 2007. Os dados são da pesquisa de indicadores da unidade estadual do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Foi o melhor resultado dos últimos sete anos para o mês de janeiro.
Essa alta, considerada atípica pelo economista Reinaldo Cafeo, pode ser explicada pelo baixo desempenho que a economia, como um todo, teve no início do ano passado.
“É natural que, quando a comparação é feita com uma base de crescimento bem menor, como ocorreu em 2007, haja um aumento significativo”, justifica. Ele explica que os índices em janeiro, mês considerado economicamente fraco, costumam majorar apenas 3,5% a cada ano.
No entanto, Cafeo sustenta que, no decorrer de 2007, o crescimento do setor industrial, aliado ao aumento do poder de consumo da população, também influenciou as micro e pequenas empresas do Interior a alcançar tais resultados. “O aumento da renda e a facilidade de acesso ao crédito fizeram com que houvesse um incremento na demanda e todos os setores da economia, inclusive a indústria, cresceram”, afirma.
E quando a indústria cresce, as pequenas e microempresas que prestam serviços para este setor, fornecendo equipamentos ou insumos, também seguem esta tendência. “Em Jaú, há várias pequenas indústrias que produzem rebites de calçados para as fábricas maiores, que geram o produto final”, exemplifica, destacando que o segmento de prestação de serviços atualmente enfrenta dificuldades para suprir toda a demanda. “Isso porque o mercado consumidor está muito aquecido”, complementa.
Trajetória de crescimento
Ainda de acordo com a pesquisa, os estabelecimentos do gênero no Estado também se beneficiaram com uma alta de 6,2% em seus faturamentos reais na comparação dos mesmos meses. O estudo é realizado mensalmente pelo Sebrae em 2.700 micro e pequenas empresas da indústria da transformação, comércio e prestação de serviços e, além de medir as taxas de faturamento real, analisa o pessoal ocupado, gastos com salários, rendimento médio do trabalhador e expectativas.
A pesquisa do Sebrae-SP também constatou melhorias nos índices de ocupação das micro e pequenas do Interior paulista. Segundo a entidade, o pessoal ocupado aumentou 4,2% em janeiro de 2008 sobre janeiro de 2007, diferentemente da média estadual no setor, que permaneceu estável (sem variação). Ainda conforme o estudo, estima-se que em janeiro deste ano estavam ocupadas em estabelecimentos paulistas do mesmo porte cerca de 5,6 milhões de pessoas, incluindo nesse número os sócios-proprietários e os empregados com e sem carteira assinada.
Mas a pesquisa também apurou quedas nos resultados das micro e pequenas empresas. Elas foram verificadas de dezembro de 2007 sobre janeiro de 2008, quando a receita real e o faturamento desses estabelecimentos caíram, respectivamente, 10,5% e 9,5%. O Sebrae-SP atribuiu a queda ao fato de dezembro caracterizar-se pelo pagamento da segunda parcela do 13º salário e das vendas de Natal. O estudo ainda verificou diminuição do rendimento real dos trabalhadores, que caiu 3,8% de janeiro do ano passado a janeiro deste ano. O valor médio do salário pago nos pequenos negócios paulistas em janeiro de 2008 foi de R$ 809,00, contra R$ 842,00 em janeiro do ano anterior.
Os resultados, conforme o Sebrae-SP, demonstraram que as micro e pequenas empresas paulistas mantiveram a trajetória de crescimento que vem caracterizando o segmento desde o início do ano passado. Após uma expansão de 4% em 2007 na comparação com 2006, o primeiro mês de 2008 registrou aumento de 6,2% no faturamento em relação a janeiro de 2007. No primeiro mês deste ano, os estabelecimentos geraram receita total de R$ 21,4 bilhões, o que representou um ganho de R$ 1,2 bilhão em relação a janeiro de 2007. Segundo a entidade, foi o melhor resultado para um mês de janeiro desde 2002.
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Projeções
Segundo avaliações do Sebrae-SP, o ano de 2008 também deverá manter a tendência positiva para as micro e pequenas empresas. Para Ricardo Tortorella, diretor superintendente da entidade, este ano será tão bom ou melhor que 2007 para os pequenos negócios. “Além da esperada ampliação do consumo das famílias, as micro e pequenas empresas vão começar a se beneficiar dos efeitos positivos da Lei Geral, como, por exemplo, por meio da ampliação do mercado representado pelas compras governamentais.”
Ainda conforme a entidade, as projeções dos analistas de mercado indicam que o mercado interno continuará em crescimento. De acordo com o relatório Focus, do Banco Central do Brasil, estima-se crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 4,5% em 2008.
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Razões
O bom momento vivido pela economia nacional, aliado à melhora da renda e do poder aquisitivo da população, ao aumento da oferta de crédito ao consumidor e até o fim da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) são os fatores apontados por especialistas consultados pela reportagem do JC para explicar o bom desempenho das micro e pequenas do Interior paulista.
O Sebrae-SP enfatizou que, ao longo dos últimos meses, o Interior vem puxando o desempenho dos micro e pequenos negócios, uma vez que além da melhora geral da atividade, alguns segmentos importantes do agronegócio se recuperaram em 2007, como os ligados à comercialização de carne, leite e cana-de-açúcar.
O economista bauruense Fernando Pinho considera preponderantes pelo menos dois fatores para justificar os resultados pesquisados pela entidade paulista. “O aumento da renda real das famílias, especialmente das classes C, D e E, e o incremento do crédito à população foram os principais responsáveis. O boom da economia e o esforço para se aumentar a renda e evitar que a inflação subisse também acabaram redundando no aumento do faturamento dessas empresas”, avaliou Pinho.
Já o diretor titular da unidade local do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, lembrou os mesmos fatores, mas destacou que o fim da CPMF também colaborou para o desempenho favorável das micro e pequenas empresas. “Dos R$ 40 bilhões que eram gerados pela CPMF, estima-se que R$ 24 bilhões sejam direcionados à economia privada paulista”, ressaltou.
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Outras regiões
A pesquisa de indicadores do Sebrae-SP também mensurou o desempenho das micro e pequenas empresas de outras regiões do Estado. As da região metropolitana de São Paulo, por exemplo, apresentaram aumento real no faturamento de 3% em janeiro de 2008 sobre janeiro de 2007. Já o pessoal ocupado registrou queda de 4% no mesmo período, com o setor de serviços puxando essa retração.
Já na região do ABC, os estabelecimentos registraram queda real de faturamento de 10,4% em janeiro de 2008 sobre janeiro de 2007. E na comparação de janeiro de 2008 com dezembro de 2007, a receita real das micro e pequenas empresas do ABC caiu 6,2%. Acompanhando a queda no faturamento, o pessoal ocupado registrou queda de 14,6% em janeiro de 2008 sobre janeiro de 2007.