11 de julho de 2026
Geral

Imigrante português, Antonino revela paixão por bike e pelo Brasil

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Aos 18 anos, Antonino de Oliveira acordava às 4h e percorria 44 quilômetros sobre uma bicicleta, para dar conta de chegar cedo ao quartel, na cidade de Coimbra, Portugal, onde prestava o serviço militar obrigatório. Nas seis horas em que passava pedalando entre o trajeto de ida e volta, o pensamento voava longe, mas ele jamais poderia imaginar o que o destino o reservaria.

Hoje morando em Bauru, seo Antonino, como é conhecido, é proprietário de uma das mais tradicionais bicicletarias da cidade, a Bicicletaria do Português, empreendimento que lhe serviu como ponto de partida para o nascimento de uma paixão incondicional pelo País. “Eu adoro o Brasil. Isso aqui é uma terra maravilhosa, que eu não troco por nada. Há pouco tempo fui passar 45 dias em Portugal e já estava louco para voltar para cá”, conta, rindo de si mesmo.

No entanto, mesmo morando em solo brasileiro há 57 anos, o sotaque não deixa enganar: seo Antonino é mesmo português. O “s” chiado e o “p” “apertado” ainda permancem, intactos. E, na cozinha, nunca faltam os indefectíveis bacalhau, vinho do Porto e azeite de oliva. Mas ele ressalta, com os ávidos olhos azuis: “Alguns hábitos se mantêm, mas amo mais o Brasil do que minha primeira terra”.

E, apesar de ter se transformado em um “brasileiro de coração”, é a Bauru que seo Antonino sente-se mais grato. “Aqui tenho meus negócios, meus filhos e meus netos. Construí minha vida aqui”, destaca.

Ele conta que foi através das oportunidades que teve na cidade que pôde constituir família, a razão de sua felicidade. A mulher, Maria Amélia, veio de Portugal, mas os dois filhos e os três netos são “fabricação bauruense”.

Trajetória

O comerciante relembra que saiu de Portugal aos 22 anos para tentar a vida em Bauru, onde um irmão mais velho já morava. “Trabalhávamos em uma oficina mecânica, mas o salário era pouco. Um dia, um senhor me pediu para que eu arrumasse sua bicicleta e aí tudo começou”, recorda-se.

Depois de abrir, em 1955, uma pequena oficina no fundo do quintal de sua casa - na quadra 3 da rua Sete de Setembro - com o talento que possuía, seo Antonino conseguiu ampliar o negócio rapidamente e se estabelecer em um salão comercial na região central da cidade. Em 1969, acabou comprando e se transferindo para um imóvel maior, na quadra 6 da rua Monsenhor Claro, onde está até hoje.

Na bicicletaria, chegou a comandar seis funcionários, em tempos áureos em que prestava serviços e vendia peças de reposição para grandes empresas, como a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. “Era uma beleza, ganhei um bom dinheiro naquela época”, comenta.

Com os dividendos, abriu uma padaria e um estacionamento de carros, que ele mesmo geriu, paralelamente aos trabalhos com as bicicletas. O empreendedorismo foi tamanho que o imigrante - que chegou sem recursos ao Brasil - conseguiu adquirir, ao longo dos anos, 55 imóveis.

E, mesmo com o crescimento da concorrência, a estabilidade financeira ainda permite que seo Antonino construa novos apartamentos, casas e salões comerciais, que hoje são sua maior fonte de lucro. “Mas continuo com a bicicletaria, porque gosto do meu trabalho. Quando o serviço está apertado, vou lá para a oficina e coloco a mão na graxa”, brinca.