As famílias dos policiais militares envolvidos na morte do adolescente Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, ainda não entendem como eles puderam participar da ação, que resultou na prisão da guarnição logo após a ocorrência. A dificuldade, no entanto, não é a única. Mulheres, filhos e pais também sofrem com problemas emocionais, morais e financeiros.
A tristeza foi relatada ontem pela esposa do soldado Maurício Augusto Delasta, Andréa Sobral, 31 anos, também representante das famílias dos policiais Juliano Arcângelo Bonini, Gerson Gonzaga da Silva e Ricardo Ottaviani. De acordo com ela, todas estão sobrevivendo com o auxílio de terceiros. “A Polícia Militar e os comerciantes têm ajudado muito. A gente também se ajuda”, comenta.
A situação é mais delicada na casa das mulheres que, sem trabalhar fora, se dedicam à educação dos filhos. Todas passaram a receber, desde o mês passado, cerca de um terço dos vencimentos de seus respectivos maridos. O pagamento integral, no entanto, foi restabelecido via ação judicial, conforme publicou nesta semana o Jornal da Cidade. “O Maurício recebeu R$ 348,00. Só de advogado a gente paga R$ 770,00”, comenta.
A situação emocional dos familiares também está em frangalhos, principalmente das crianças, diz ela. Uma delas está em depressão, com acompanhamento psiquiátrico. “O filho tem o pai policial como exemplo de homem, de força, herói. Eles saíram de casa para trabalhar e não voltaram mais”, afirma Andréa.
Segundo ela, quando visitados, os policiais choram, cogitam até a morte. A situação as fragiliza muito, embora tenham que manter a compostura e encorajá-los. “Algumas mães precisam esperar os filhos dormirem para chorar”, relata a esposa de Delasta. Outra dificuldade é a de passar por constrangimentos que elas jamais imaginaram enfrentar quando casaram com policiais.
Entre elas, a de tirar a roupa para serem revistadas antes de entrar presídio militar Romão Gomes, em São Paulo, onde estão presos. A esposa de um deles ainda precisou transferir-se de endereço provisoriamente porque passaram a jogar pedra do imóvel onde mora com os filhos, no Mary Dota, mesmo bairro onde o adolescente morava. Isso sem contar nas ameaças.