Jaú - O ex-aluno do Projeto Guri, o servidor municipal André Segolin, 20 anos, descobriu a música freqüentando as aulas e aprendendo a tocar viola no pólo do projeto em Jaú (47 quilômetros de Bauru). Assim como ele, o ex-aluno Enzo Ferreira de Paula Júnior, 20 anos, do pólo de Bauru, também passou pelo projeto. A oportunidade permitiu a ambos irem mais longe. Atualmente, os dois se aperfeiçoam como músicos no Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos de Tatuí.
“Meu interesse pela música nasceu no projeto. A minha iniciação musical foi lá. Até então, eu não tinha nenhum estrutura, nenhuma teoria ou prática”, relembra Segolin.
Segundo o ex-aluno do pólo de Jaú, tudo começou em 2002, quando procurou o Projeto, cuja sede fica em frente a sua casa. “Eu moro em frente à estação ferroviária de Jaú, onde é a sede do Projeto Guri. Eu estava de bobeira durante a tarde e fui para lá para ver qual era. Fui para ter aula de violino, mas não tinha. Eles me apresentaram a viola, que para mim era semelhante, e eu acabei gostando muito mais da viola do que do próprio violino”, detalha.
Segolin foi integrante da orquestra como spalla do naipe de viola, solista do coral e monitor das aulas de violão erudito e popular. No mesmo ano, entrou para o Coral Municipal de Jaú, onde foi monitor de naipes e assistente.
Já despertado para o mundo da música, em 2004 cursou viola erudita no Conservatório de Tatuí. Teve aulas de violão erudito na Escola Municipal de Música Heitor Azzi e de violão popular. Fez também aulas de teoria, composição, harmonia e história da música no Conservatório Jauense.
Atualmente, Segolin é professor de canto na escola Clave de Sol, em Barra Bonita, e integra o grupo Os Menestréis, que tem a proposta de levar ao público, músicas brasileiras do passado, tais como valsas, choros, sambas, marchinhas, toadas, serestas.
“Esta estrutura que eu tive meu alicerce foi o Projeto Guri. Nos finais de semana eu trabalho como músico, é minha segunda profissão. Estou ganhando um extra mas é mais pelo prazer mesmo”, conclui.
A exemplo de Segolin, Enzo Ferreira de Paula Júnior, 20 anos, também procurou o Projeto Guri só que no pólo de Bauru, depois de ler uma matéria no JC sobre o assunto. “Acho que se eu não tivesse passado pelo Guri, eu não ia querer seguir carreira. Hoje, eu quero, como músico”, avalia Paula Júnior. Atualmente, o ex-aluno, que já é professor, participa da Banda Municipal de Bauru. “Este ano eu até entrei no Conservatório de Tatuí”, comemora.
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Música é vida de crianças
Em 1995, a Secretaria do Estado da Cultura iniciou as atividades do Projeto Guri, que até 2007 já atendeu cerca de 50 mil alunos entre 8 e 18 anos com a missão de resgatar, por meio do aprendizado musical, a cidadania e contribuir para a socialização das crianças e adolescentes.
Na região de Bauru, o projeto tem vagas em aberto em 14 pólos, são eles: Bariri, Barra Bonita, Bocaína, Boracéia, Dois Córregos, Getulina, Guarantã, Itapuí, Jaú, Lins, Macatuba, Mineiros do Tietê, Promissão e Sabino. Os Pólos Bauru e Igaraçu do Tietê estão sem vagas no momento, mas existe uma lista de espera para os interessados.
Atualmente, o Projeto está presente em 384 pólos aproximando as pessoas da cultura e da arte com o aprendizado de um instrumento musical ou canto. O projeto também atende, em parceria com o Centro de Atendimento Sócio-Educativo ao Adolescente (Fundação Casa – antiga Febem), cerca de 1.900 internos nos 47 pólos nas unidades da Fundação Casa no Estado.
“Os instrumentos são emprestados do Projeto Guri para uso no pólo. Eles (alunos) fazem aulas duas vezes por semana. Quando eles estiverem aptos, no grupo de avançados, eles saem para fazer apresentações no município e na região”, explica Juliana Nunes, subgerente de pólos da região de Bauru.
Os trabalhados desenvolvidos dentro do projeto são reconhecidos no Brasil e no exterior. Entre os prêmios já recebidos pelo Projeto Guri destaca-se o Prêmio Multicultural Estadão 2000, na categoria “Melhor Projeto do Fomento à Cultura do Ano”. O projeto também representou o Brasil, em 2002, durante a Sessão Especial da Assembléia Gerald as Nações Unidas em Favor da Infância, em Nova Iorque.