Areiópolis - O Legislativo rejeitou o pedido de instauração de Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar possíveis irregularidades na compra de um terreno pela Prefeitura de Areiópolis (69 quilômetros de Bauru). A proposta teve cinco votos a favor e quatro contrários e não atingiu os dois terços necessários, do total de nove votos exigidos para abertura de CEI.
A votação secreta ocorreu em sessão extraordinária realizada anteontem e contou com a presença de nove vereadores, três deles suplentes. Dessa vez, os três últimos suplentes convocados estiveram presentes depois de a votação ser adiada por duas ocasiões, já que os suplentes convocados para ocupar a cadeira dos vereadores impedidos de votar, se abstiveram de participar de outras sessões.
Os vereadores Claudemir Aparecido Massarico (PP), Julisar Gomes Paes (PDT) e Luiz Antônio Pedroso (PDT), autores do pedido de CEI, conforme prevê o Regimento Interno do Legislativo, estavam impedidos de participar da votação. Em seus lugares, assumiram os suplentes Bertinho Aparecido Machado (coligação PDT/PP), Gonçalves (coligação PDT/PP) e Antônio Marcos Luís (coligação PPN/PL).
“Nós sentimos muito (o resultado), porque a Câmara é um órgão fiscalizador da prefeitura e a maioria dos vereadores não entende isso”, comenta Pedroso, que não descarta propor novamente a abertura de CEI, dependendo do que for apurado pelo Ministério Público (MP). “Por enquanto, o caso será investigado pelo Ministério Público (MP). Nós não podemos deixar isso quieto”, conclui.
O prefeito de Areiópolis, José Pio de Oliveira (PT), também compareceu à sessão extraordinária para acompanhar a votação, mas não chegou a usar a tribuna para falar sobre o assunto. Muitos munícipes também assistiram a sessão do Legislativo, lotando o plenário.
A CEI rejeitada pelo Legislativo pretendia apurar o pagamento de R$ 75 mil parcelados, feito pela prefeitura, a Arlindo Silvério de Almeida. O dinheiro foi utilizado para comprar uma área de loteamento e implantação de um conjunto habitacional, projetado para abrigar 120 moradias populares. Almeida teria comprado o terreno de outra pessoa e quitado com cheques sem fundos.
A administração não conseguiu registrar a área, ou seja, passar a escritura. Os cheques sem fundos constam do inquérito policial, que investigou a acusação de irregularidade por mais de um ano até a remessa ao MP.
O prefeito Oliveira, no entanto, garantiu que tem a escritura da área e que as acusações têm fins políticos, porque o loteamento dos terrenos a preços populares e financiados deve beneficiar muitas famílias no município.