08 de julho de 2026
Política

Tidei quer eleição para comando verde

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

No “day after” após a executiva estadual do PV estipular prazo de 15 dias para as lideranças locais do partido em Bauru organizarem nova comissão provisória, as declarações de integrantes da sigla - cujo entendimento entre si é considerado fundamental para a “pacificação” do clima quente e do “racha” interno vivenciado atualmente pela agremiação - demonstram que os “verdes” bauruenses terão de gastar muita saliva para chegar a um acordo. Enquanto o coordenador regional, Tidei de Lima, defende eleições para a composição do novo comando, tal hipótese não é vista com muito apreço por outros líderes do partido, como Clodoaldo Gazzetta e o vereador Primo Mangialardo.

O coordenador regional do PV, o ex-prefeito Tidei de Lima, classificou a intervenção da executiva estadual como uma “violência” contra o partido em Bauru. “Defendi o posicionamento da não-intervenção, pois acho isso uma violência, embora tenha restrições da forma como o Turtelli (Cláudio Turtelli, ex-presidente da comissão provisória) administra o partido. Mas isso é uma questão interna e intervir na comissão é uma violência”, criticou.

Para Lima, a melhor forma política para o restabelecimento da unidade verde é a realização de eleições internas para se definir a composição da nova comissão provisória. “Aí todo mundo se curvaria à vontade da militância do partido. Os filiados poderiam ser convocados para eleger a direção, pois seria uma forma mais democrática de se estabelecê-la, embora o período seja inconveniente. Mas já que quebrou o ovo vamos ver se fazemos um omelete. Assim, o partido sairia fortalecido para a disputa eleitoral. Caso contrário vai-se de perna quebrada”, analisou.

Ainda conforme o ex-prefeito, a realização das eleições não demandariam muito tempo além dos 15 dias de prazo determinados pela executiva estadual. “Não são muitos militantes, pois o PV não é um partido que tem milhares de filiados. Dá tempo, pois as convenções só serão em junho. Essa é a melhor forma para o partido, pois já que foi feita a violência da decisão, podemos aproveitar e fazer essa forma da recomposição da direção”, salientou.

Já Clodoaldo Gazzetta ressaltou estar disposto a manter conversações com os demais membros da sigla. “O processo no PV não será de exclusão e chegaremos em um processo de convergência. É o que foi decidido pela executiva e o que tentaremos fazer aqui, conversando com as pessoas, vendo o que cada um tem e pode contribuir com o processo de reconstrução do PV. Sempre estivemos à disposição de sentar com o pessoal. Estamos no mesmo partido e precisamos conversar”, frisou.

Outra liderança do PV em Bauru, o vereador Primo Mangialardo também destacou a necessidade de entendimento, mas fez ressalvas. “O caminho é sentar para discutir, mas as partes têm de conscientizar que perderão algo para poder valer, senão não é acordo. Cada um tem de ceder um pouco e saber tratar as coisas com maturidade. Se ficarmos com queda de braço como qualquer outro partido, cairemos na vala comum como os outros. Estamos com a grande chance de deixar o partido legal. É possível sentar com quem você não se dá muito bem, desde que seja para o bem comum”, argumentou o parlamentar.

O ex-presidente da comissão provisória do PV em Bauru, Cláudio Turtelli, não foi localizado ontem para falar sobre o assunto em seu escritório e também não retornou o recado deixado pela reportagem do JC em seu telefone celular.

Estopim

O estopim da crise entre o militante e outros dirigentes do PV foi uma entrevista concedida ao Jornal da Cidade, publicada no dia 9 de janeiro. Na ocasião, o então presidente da comissão provisória, Cláudio Turtelli, avaliou que a legenda desempenharia papel de coadjuvante, cumpriria papel apenas institucional nas eleições municipais deste ano e que não teria chances reais de disputar o poder.

A manifestação de Turtelli desagradou integrantes do partido, que em reunião do Conselho Regional do PV, realizada há pouco mais de 15 dias, decidiu pela destituição do comando da comissão provisória bauruense. E, anteontem, a executiva estadual referendou a decisão do Conselho Regional e determinou prazo de 15 dias para a montagem de uma nova comissão provisória por parte das lideranças locais da sigla.

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Presidência e eleições

Mas apesar do discurso conciliador das lideranças, pelo menos por enquanto ninguém manifestou interesse em assumir o comando do PV em Bauru. O ex-prefeito Tidei de Lima destacou não ter a intenção alegando não ter tempo e condições de assumir tal responsabilidade em virtude de suas atividades profissionais.

Já Mangialardo sustentou que os detentores de cargos eletivos não devem comandar o partido. “Presidente de partido não pode ter cargo eletivo, pois nunca será imparcial, e tem de ser um gerenciador do partido, correndo atrás de recursos para todos os candidatos e atender todos de forma igual. Além disso, também não pode ter nem o interesse de disputar cargo eletivo. Se querem sugerir alguém de consenso, que o façam e nós referendamos, mas terá de assumir compromisso que não será candidato a nada”, avaliou o vereador.

Gazzeta também descartou a hipótese, pelo menos no momento, de assumir o comando da comissão provisória. “Minha intenção não é a de assumir a presidência do partido em Bauru. Tenho um processo de construir uma pré-candidatura e venho trabalhando nisso. Coloquei meu nome à disposição do partido para ser pré-candidato a prefeito desde o ano passado e venho colocando isso como um princípio. Agora assumir a presidência do PV no município dependerá de uma conversa com as outras pessoas na cidade. Sinceramente gostaria de conversar com todos antes de tomar qualquer posicionamento em relação a isso”, disse.

Gazzetta e Mangialardo também não se mostraram animados com a sugestão de eleições feita pelo coordenador regional do partido. “Não sei se essa possibilidade está respaldada pelo estatuto do partido e se a executiva aceitaria um processo como esse. Há uma possibilidade, mas acho que quem decide é a executiva estadual, que tem a prerrogativa de definir como é que isso será conduzido”, ressaltou Gazzetta.

“Quem poderá votar nessa eleição? Todos os filiados? De repente, o pessoal pode impressionar-se porque tem um deputado (José Paulo Tóffano, deputado federal) pedindo voto para um candidato X e vão todos votar nele porque ficarão impressionados com um deputado pedindo votos? O Tidei não pensa isso? Ele acha que todo mundo vai votar no Turtelli porque ele está aí faz 20 anos?”, completou Mangialardo.