A entrada do presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, na luta pela manutenção de vôos regulares entre Bauru e São Paulo surtiu os primeiros efeitos positivos para a cidade e região: ele conseguiu convencer a OceanAir a operar a linha, que pode ficar sem a Pantanal a partir do dia 21 de setembro se não regularizar sua situação perante a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ontem, o presidente da OceanAir, German Efromovich, confirmou pessoalmente a Skaf a decisão de colocar sua empresa à disposição da Anac para assumir a rota, caso a Pantanal não tenha sua concessão renovada.
O Jornal da Cidade falou diretamente na sede da presidência da Fiesp em São Paulo, ontem, para obter a informação sobre o acerto com a OceanAir. A negociação se desenrolava há vários dias, desde o primeiro contato de Skaf com a empresa e imediatamente após o presidente da Fiesp ter convencido seus pares em Bauru de que o melhor caminho seria, inicialmente, tentar a via negociada e não uma ação na Justiça. Outras empresas, como a Gol e a TAM, também foram contatadas neste processo de convencimento.
Conforme informações de Ricardo Viveiros, jornalista chefe da assessoria da presidência da Fiesp, Paulo Skaf sensibilizou-se pela situação não apenas em função da mobilização do empresariado, classe que utiliza regularmente aviões de carreira, mas também por saber que Bauru e região têm centros médicos de excelência - como o Centrinho (em Bauru) e o Hospital Amaral Carvalho (em Jaú) - que recebem pacientes de todo o País, além das demais demandas existentes, como por exemplo na área educacional e de executivos de empresas públicas e privadas, entre outras áreas da sociedade usuárias do transporte aéreo.
Negociações
Uma parte importante do problema pode estar resolvida com a aceitação da OceanAir. Agora, é preciso aguardar o desfecho de negociações que a Pantanal (atual titular da rota) realiza com a Anac para se regularizar. Posteriormente ou concomitantemente, a agência reguladora deverá analisar a disponibilidade da OceanAir para decidir quem vai operar no aeroporto Moussa Tobias. O fato é que não será por falta de empresa interessada que Bauru perderá seus vôos diários para São Paulo e vice-versa.
A OceanAir operou vôos regulares na rota Bauru-Araçatuba-São Paulo de junho do ano passado até a primeira quinzena de fevereiro deste ano, conforme divulgado pelo JC. Na ocasião, a alegação da empresa para a interrupção de suas atividades no aeroporto Moussa Tobias foi um projeto de reestruturação de sua malha aérea. Antes da OceanAir, a BRA e a Air Minas já haviam deixado de operar na cidade, restando apenas os vôos regulares da Pantanal Linhas Aéreas.
Paralelamente a todas as manobras jurídicas e políticas em torno da manutenção de vôos regulares na rota Bauru-São Paulo partindo do aeroporto Moussa Tobias, a empresária e presidente do Bauru Convention & Visitors Bureau, Michele Obeid, reitera que a empresa regional Trip Linhas Aéreas foi a única até o momento a pedir, oficialmente, à Anac a autorização para operar uma rota que inclui Bauru.
A assessoria de imprensa da Trip não se manifestou sobre o assunto e a agência reguladora reafirmou à reportagem, ontem, que desconhece tal pedido.