O governo anunciou na semana passada que pretende adotar medidas para restringir prazo de financiamento de veículos, entre outros itens. O principal objetivo seria conter a expansão do crédito e evitar o aumento das taxas de juros no País, além de conter a inflação. Além do setor automotivo, outras atividades podem ser atingidas, mas a compra da casa própria será poupada das restrições.
Como conseqüência dessa redução no prazo de financiamento, tornando inviáveis as formas de pagamento acima de 36 meses, as vendas de automóveis podem cair pela metade, segundo estimativa da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Uma simulação feita pela Associaçao Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), mostrou que os consumidores pagarão 41,11% a mais no valor das prestações se o prazo de financiamento for reduzido de 72 meses para 36 meses. Já naqueles em que o prazo for reduzido de 48 para 36 meses, o valor da prestação subirá 28,74%.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou ontem uma possível restrição dos prazos de financiamento ao consumidor com o objetivo de conter pressões inflacionárias que estão localizadas no setor de alimentos. Ao apresentar a agenda legislativa da indústria para 2008, o presidente da entidade, deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), sustentou que não há ameaça de aumento generalizado de preços e que, diante das pressões pontuais, mais producente seria o corte de gastos de custeio do governo federal. Outra alternativa, assinalou ele, seria a elevação das importações.
O alerta de Monteiro Neto deu-se pouco depois da divulgação, pelo Banco Central, da expectativa de que o volume de crédito concedido no País venha a corresponder a 40% do Produto Interno Bruto (PIB) até o final do ano. Para a CNI, 40% do PIB é um percentual baixo, se comparado com o de outros países sul-americanos, como o Chile, ou mesmo com os Estados Unidos.