09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Licença para pescar


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Ao sair para uma pescaria nós precisamos ficar atentos para pequenos detalhes. Nunca esquecer a licença de pesca, para evitar dor de cabeça, que foi o que aconteceu comigo e meu amigo Tochio.

Sem levar a licença, fomos fazer uma pescaria à noite, eu, o Tochio e o Paulo Japonês. Por volta das 6h da tarde, arrumamos toda a tralha, pegamos o carro do Tochio e rumamos para a barragem de Bariri, no rio Tietê.

A noite estava propícia para fazer uma boa pescaria. Chegamos lá, arrumamos um bom lugar e iniciamos a pescaria. Todos os três com seus molinetes já arrumados, arremessamos e já vieram as mandiúvas penduradas nos anzóis, e assim foi até as 9h da noite. Pegamos muitos peixes.

Nesse instante chegaram dois homens à paisana e perguntaram para nós: “- Como é, está boa a pescaria?”. Respondemos que estava ótima e continuamos a pescar, nós nem nos tocamos. E os dois desceram o rio até sumir na calada da noite.

Não demorou muito, os dois homens estavam de volta e traziam com eles tarrafas e redes. Foi aí que nós ficamos sabendo que eram dois fiscais do Ibama, xi... agora sujou. Eles nos pediram a licença de pesca e só o Paulo tinha, eu e o Tochio tínhamos esquecido em casa.

Por conta disso, nós ficamos sem o nosso molinete e ainda por cima fomos multados. Eles falaram para nós irmos até Bariri requerer os nossos pertences e pagar a multa.

Eu falei: “- E agora? Nós não vamos ficar sem pescar, não!”. Providenciamos duas linhadas de mão e fomos pescar! E foi uma das melhores pescaria que realizamos naquela noite, e lá pelas 3h da madrugada, com os samburás cheio de mandiúva e chamburé, nós retornamos para Bauru felizes da vida pela boa pescaria que nós fizemos, apesar de perder a tralha. Dias depois nós fomos até Bariri e recuperamos tudo, mediante pagamento da multa, é claro.

Daquele dia em diante a minha licença de pesca fica na sacola, só que nunca mais precisei usá-la.

Essa foi uma das minhas pescarias que mais deixou mais saudades. Só que o amigo Tochio partiu para outra anos depois, fazer o quê? É a vida!

Florindo Martins é pescador e contador de histórias