No dia 21 de março de 1985, fiscais do Banco Central (BC) cerraram as portas da Valorama Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que já estava fechada desde o dia 19 daquele mês. A empresa lesou financeiramente cerca de 2 mil pessoas que eram seus clientes, por não terem o retorno dos investimentos feitos.
Em junho daquele mesmo ano, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo decretou a falência da empresa. Na época, conforme divulgado pelo Jornal da Cidade, o “rombo” feito pela corretora era em torno de 40 milhões de cruzados (CZ$).
Em entrevista concedida à imprensa em 27 de março de 1985, o empresário Roberto Cintra, que comandava a Valorama, procurou tranqüilizar os lesados dizendo que os bens do ativo do Grupo Cintra eram de valor superior ao passivo das empresas sob intervenção e que, dependendo das condições de mercado, ninguém sofreria prejuízos. Depois disso, ele saiu da cidade e foi morar em São Paulo.
No dia 24 de abril de 1985, um grupo de bauruenses saiu às ruas com faixas e cartazes: “Queremos justiça, família Cintra na cadeia!”. No dia 7 de maio, a polícia começou a colher depoimentos de pessoas arroladas no caso, mas nenhum dos integrantes da família Cintra compareceu.
No dia 30 de maio, o interventor do BC entrou com pedido de falência da Valorama, após um levantamento de 70 dias. No dia 1 de junho foi requerida a prisão preventiva de Roberto Cintra pelo delegado João Baptista Campos Porto.
No dia 21 de julho, o jornal Gazeta Mercantil noticiou a descoberta do “Caixa 2 da Valorama”. Em janeiro de 1986, Cintra pediu o relaxamento de sua prisão preventiva, decretada em outubro de 1985.
Em 31 de janeiro de 1987, o procurador de Roberto Cintra anunciou que os investidores lesados seriam ressarcidos em seis meses. Em 27 de novembro daquele ano, o juiz criminal Euclydes Calil condenou Roberto Cintra a um ano e quatro meses de reclusão e multa de CZ$ 1,33, por “apropriação indébita qualificada”. Depois, o réu se beneficiou da primariedade para cumprir a pena em liberdade.