08 de julho de 2026
Polícia

Adolescente pego com cocaína e crack já seria fornecedor

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Numa apreensão de drogas feita ontem em Bauru o que impressiona é que um adolescente de 17 anos, que assumiu ser dono de 80 gramas de cocaína e 159 porções de crack, já seria fornecedor de entorpecentes no bairro onde mora, no Parque Santa Edwirges. Ele não admitiu, mas a quantidade, o esconderijo e o sistema de embalagem indicam que a droga não seria fornecida diretamente ao usuário, mas sim a microtraficantes.

Após quase um mês de investigação, incluindo campana próxima à casa do adolescente em várias noites, policiais civis da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) constataram que no local ocorria movimentação típica de tráfico. Os policiais identificaram que um dos moradores, o adolescente, que já cumpriu internação por roubo na antiga Febem, era responsável pela movimentação suspeita, conta o delegado Kleber Granja.

Ontem pela manhã, com autorização judicial, os policiais da Dise fizeram a busca e apreensão na casa do adolescente. No quarto da irmã do adolescente, que tem 16 anos, foram encontradas cinco porções de cocaína. “E enterrado no quintal, no pé de uma árvore, a cerca de meio metro de profundidade, estavam dois invólucros plásticos. Em um, encontramos cerca de 80 gramas de cocaína e no outro, as pedras de crack, que estavam embaladas de dez em dez”, relata o delegado.

O adolescente estava em casa juntamente com dois irmãos - 18 anos e 8 anos -, a irmã de 16 anos e sua namorada, também menor de idade. A mãe dos quatro estava trabalhando. “Apuramos que a família já havia brigado com este adolescente por causa de droga, que eles não aceitavam”, comenta Granja. O curioso, ressalta o delegado, é que não foi encontrado dinheiro na casa. “Ainda estamos à procura, mas pela quantidade de droga deve estar bem escondido”, disse.

Responsabilidade

Na Dise, o adolescente assumiu a propriedade das drogas, mas não disse de quem as comprou nem para quem as venderia. Ele foi apreendido em flagrante e o delegado solicitou à Vara da Infância e Juventude a internação do menor na Fundação Casa. “Não é porque é adolescente que não será responsabilizado. Neste caso, poderá cumprir até três anos de internação como medida sócio-educativa de privação de liberdade”, ressalta.