Bogotá - O governo colombiano anunciou na noite de anteontem a intenção de trocar rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) por reféns da guerrilha. A medida foi anunciada pelo alto comissário para a Paz, Luis Carlos Restrepo que afirmou também que, se as Farc libertarem a política franco-colombiana Ingrid Betancourt, dará por iniciado o acordo humanitário para a troca de reféns por rebeldes presos.
A afirmação do governo, que representa uma mudança da posição adotada até o momento, foi divulgada após as notícias de que o estado de saúde de Ingrid é muito grave.
“Basta simplesmente que a doutora Ingrid Betancourt seja libertada para considerarmos que o acordo humanitário está vigente e, neste sentido, conceder os benefícios da suspensão condicional da pena dos membros do grupo guerrilheiro”', disse Restrepo em Bogotá.
Segundo Restrepo, o interesse do governo colombiano, “em primeiro lugar, é a saúde de Ingrid Betancourt, mas cremos que este mecanismo permite que, também de maneira imediata, os outros seqüestrados que estão em difíceis condições de saúde e, em geral, a totalidade dos seqüestrados que as Farc mantêm em seu poder para realizar o acordo humanitário, podem se beneficiar com o mecanismo”.
Marido
O marido da refém franco-colombiana das Farc (Forças Armadas revolucionárias da Colômbia) Ingrid Betancourt, Juan Carlos Lecompte, afirmou ontem que a proposta do governo colombiano para libertar rebeldes das Farc presos em troca de sua mulher “é confusa“.
Segundo ele, seria melhor se o governo respondesse aos pedidos concretos da guerrilha como a desmilitarização de 800 km2 no sudoeste do país para negociar a libertação de reféns.
“É uma proposta confusa. Se a tivessem oferecido algo mais concreto e acrescentado respostas a pedidos concretos da guerrilha, como a desmilitarização dos povoados de Florida e Pradera, por exemplo, teríamos maiores esperanças", declarou Lecompte. Ele também reiterou seu apelo à guerrilha para que liberte sua mulher, seqüestrada desde 2002.